Sábado, 13 de abril de 2024

Lula e o ministro da Agricultura acertam linha emergencial para recuperar perdas na soja, milho e pecuária

Após ser chamado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma reunião no Palácio do Planalto, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, deixou o encontro com algumas “missões”. Foi assim que ele chamou as determinações dadas por Lula, durante a conversa que durou cerca de uma hora. “Deu missões e vamos botar pra implementar”, disse à imprensa.

A mais importante será anunciada em março, antes do final da colheita de soja, que está em 40% no País. O ministro disse que será oferecida uma linha emergencial para capital de giro, com dois anos de carência e mais três para amortização. Soja, milho e pecuária de corte e bovina, que foram as áreas mais afetadas pelo clima e preços, serão atendidos. Ainda não há o calculo sobre os custos dessas medidas.

Segundo Fávaro, o assunto já vem sendo discutido com o Ministério da Fazenda e BNDES e, agora, foi levado ao presidente Lula. “ Estamos estratificando [produtores que precisam] com os bancos operadores de crédito e vamos validar nos próximos dias com o presidente. O que precisa é tranquilidade, evitar uma onda de inadimplência, que nós possamos atender especificamente quem está sem renda, quem teve problema de safra. Para que ele tenha tranquilidade, para diluir esse problema em quatro, cinco anos e manter o nível de investimento desse setor”, explicou.

O ministro Carlos Fávaro disse que vai organizar uma missão à África para restabelecer os laços comerciais do continente com o Brasil. “Já tivemos uma relação comercial com a Nigéria de US$ 10 bilhões e hoje está em US$ 1,7 bilhão. Ele [Lula] acha que é uma grande oportunidade, então vou organizar essa missão empresarial”, contou Fávaro.

Na terça-feira (27), o Brasil abriu o mercado de Singapura, para onde começa a exportar extrato de carne, um produto processado de alto valor agregado. “Vale mais que carne nobre, e isso gera oportunidade no campo”, disse Fávaro. Em 2023, foram 78 mercados abertos para produtos agropecuários brasileiros.

Outra novidade que saiu da reunião com o presidente Lula, é a criação de uma rede nacional de meteorologia para acompanhar as mudanças climáticas. A ideia é substituir as estações meteorológicas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) que ainda são analógicas por digitais. Segundo o ministro, esse tema estará no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Dois dias depois da manifestação que reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em São Paulo, o ministro comentou a “ausência do setor” – que era um grande aliado do ex-presidente na gestão anterior.

“Não vi adesão nenhuma. Tá todo mundo trabalhando, colhendo. É período de colheita, tá todo mundo na roça. Não tava preocupado com esse tipo de manifestação”, respondeu Fávaro.

Churrasquinho 

Como prova da proximidade com o setor, o presidente Lula pretende visitar os principais estados produtores para lançamento de obras do PAC. Fávaro citou viagens a Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rio Grande do Sul. “Nós vamos visitar e certamente essa animosidade é coisa do passado”, afirmou o ministro.

Ainda na reunião com o ministro da Agricultura, o presidente Lula teria pedido para receber representantes dos setores do agronegócio para ouvir as demandas específicas. Fávaro disse que o primeiro setor será de frutas, seguido do café e do algodão. E a ideia é fazer a reunião na Granja do Torto. “Para depois da reunião de trabalho, fazer um churrasquinho”, brincou.

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