Quinta-feira, 16 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de abril de 2026
O medo de ter o próprio patrimônio indisponível em caso de liquidação do Banco Máxima, em 2019, fez o banqueiro Daniel Vorcaro colocar R$ 70 milhões em recursos considerados sólidos pelo Banco Central e, assim, conseguir a autorização para assumir o controle da instituição financeira. Além disso, outros sócios injetaram mais R$ 30 milhões no banco, totalizando um aporte de R$ 100 milhões.
Essa foi a principal mudança em relação ao pedido feito em fevereiro de 2019, que foi rejeitado pelo Banco Central, para a proposta de outubro do mesmo ano, aceita pelo órgão. O Máxima foi o banco comprado por Vorcaro em 2019 e que depois foi rebatizado para Master, em 2021.
No primeiro pedido, Vorcaro usou táticas similares às que foram conhecidas agora, como o uso de ações de empresas que tinham seu capital inflado por meio de fundos, com a “circulação” de recursos no mesmo grupo, além de imóveis e terrenos que eram de difícil avaliação para a área técnica do Banco Central.
O pedido então foi indeferido pelo BC, por Vorcaro não conseguir comprovar a qualidade e a origem desses recursos para capitalizar o Máxima, que já era um banco com problemas, suspeitas de fraudes, e corria o risco de ser liquidado. O BC buscava uma solução de mercado, como determina a lei, para só fechar o banco em último caso.
Vorcaro, mesmo não sendo o dono formal do Máxima, já era considerado um “participante qualificado” do banco, por possuir mais de 15% das ações totais do banco e 10% das ações ordinárias, e dirigente estatutário por mais de seis meses. Dessa forma, se o Máxima fosse fechado pelo Banco Central, ele teria os seus bens pessoais bloqueados.
Foi esse receio de perder tudo por um banco que ainda nem era seu oficialmente que fez Vorcaro mudar de estratégia e apresentar recursos que foram aceitos posteriormente pelo Banco Central no aporte.
Nessa época, ele também contou com a consultoria do escritório Warde Advogados, que havia criado um departamento de regulação bancária e financeira e se associado ao ex-procurador do Banco Central Isaac Sidney, que posteriormente assumiu a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Além do Máxima, a Warde também assessorava instituições como PicPay, Original e PagSeguros.
Sidney havia abandonado a carreira de servidor concursado do Banco Central para se dedicar à advocacia e passou cerca de cinco meses prestando serviços com a Warde, entre novembro de 2018 e abril de 2019. Nesse período, ajudou a entender as exigências feitas pelo BC. Ele encerrou a parceria com o escritório em abril de 2019, dois meses depois do indeferimento e seis meses antes da decisão pela autorização.
O escritório Warde não quis se manifestar. Já Sidney confirmou que sua atuação foi para entender as exigências do Banco Central.
“Minha atuação foi de análise jurídica, em especial para apontar os requisitos que precisavam ser cumpridos. Tanto que, assim que tomei conhecimento de quais eram as exigências do Banco Central e o racional regulatório de cada uma delas, prontamente o escritório transmitiu as informações aos dirigentes do Banco Máxima, inclusive com a recomendação jurídica de acatamento de todos os itens, pois ja se antevia o indeferimento do pleito, o que, aliás, veio a ocorrer”, disse.
Ele concluiu que todo o processo posterior de análise aconteceu sem a sua participação.
“De toda forma, cinco meses depois de ter encerrado por completo minha atuação na advocacia privada, é que o Banco Central, em 14 de outubro de 2019, autorizou a transferência de controle societário do então Banco Máxima para Daniel Vorcaro, sendo que nenhuma tratativa ou atuação de minha parte sobre o caso ocorreu após meu ingresso na Febraban”, afirmou ao Estadão.
Após o indeferimento em fevereiro, e com o risco de ter os bens indisponíveis, Vorcaro melhorou a qualidade dos recursos que foram apresentados ao Banco Central e conseguiu comprovar a origem do dinheiro. Também alterou a composição dos sócios que estruturam a proposta.
O banqueiro injetou R$ 70 milhões, Augusto Lima, outros R$ 20 milhões, enquanto Alberto Maurício Caló e a empresa 133 investimentos, dos sócios Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen, injetou outros R$ 5 milhões.
“O pleito, ora em análise, decorre de vários aportes de capital deliberados entre março e junho de 2019, demonstrados na tabela abaixo, cujo total é de R$ 100 milhões. Desse valor, R$70 milhões são aportados por Daniel Vorcaro. Consigno, no ponto, que a origem dos recursos foi regularmente demonstrada por todos os novos acionistas, conforme avaliado pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf)”, diz trecho do voto da aprovação. (Com informações de O Estado de S. Paulo)