Terça-feira, 19 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de maio de 2026
Uma operação da Receita Federal interditou temporariamente nessa segunda-feira (18) dois centros comerciais do Brás, na região central de São Paulo, suspeitos de comercializar produtos falsificados e mercadorias importadas irregularmente. A ação atingiu o Shopping 25 Brás e o Shopping Stunt, que juntos reúnem cerca de 2 mil lojas e devem permanecer fechados por pelo menos duas semanas para fiscalização e conferência de documentos fiscais.
Segundo a Receita Federal, a operação tem como objetivo combater a venda de itens falsificados, especialmente produtos esportivos ligados à Copa do Mundo, além de mercadorias proibidas ou introduzidas no país sem regularização aduaneira. Auditores também investigam a comercialização de cigarros eletrônicos, cuja venda é proibida no Brasil, e de equipamentos eletrônicos sem comprovação de origem legal.
“Foco é o combate à mercadoria falsificada, principalmente produtos ligados ao esporte por conta da época de Copa”, afirmou a auditora fiscal Fernanda Avendanha. Segundo ela, a operação também mira “produtos proibidos, como cigarros eletrônicos, além de eletrônicos que entram no país de forma irregular”.
A previsão da Receita é de que os trabalhos de fiscalização se estendam por ao menos duas semanas. Durante esse período, os estabelecimentos permanecerão interditados para que os auditores façam a análise individual das lojas e das mercadorias comercializadas.
De acordo com o órgão, os comerciantes que apresentarem nota fiscal e documentação considerada regular terão os produtos liberados. Já os itens sem comprovação de origem poderão ser apreendidos. A Receita informou, no entanto, que os lojistas ainda poderão apresentar documentação posteriormente para tentar recuperar as mercadorias retidas.
As apreensões devem ocorrer de forma gradual ao longo da operação. Equipes da Receita Federal atuam no levantamento de produtos suspeitos e na conferência de cargas armazenadas nos estabelecimentos.
Funcionários que chegaram para trabalhar na manhã dessa segunda encontraram os acessos bloqueados e permaneceram do lado de fora dos centros comerciais. Apesar da movimentação intensa provocada pela chegada das equipes de fiscalização, a operação foi descrita pelas autoridades como tranquila e sem registros de confronto.
A Associação de Lojistas do Brás (Alobrás), que informou não possuir associados nos dois shoppings alvo da ação, declarou que não apoia a comercialização de produtos piratas. Segundo a entidade, seus associados atuam principalmente na fabricação e revenda de moda nacional distribuída no Brasil e em outros países da América Latina.
“Esperamos que a ação obtenha êxito de forma a estimular a competição justa e estímulo à moda nacional”, afirmou Lauro Pimenta.
No Brasil, a comercialização de produtos falsificados é considerada crime e está prevista na Lei de Propriedade Industrial. A legislação estabelece penas que podem variar de três meses a um ano de detenção, além de multa, para casos de reprodução ou venda não autorizada de marcas registradas. Dependendo das circunstâncias da investigação, comerciantes também podem responder por crimes contra as relações de consumo, descaminho, contrabando e associação criminosa.
Especialistas em direito tributário e propriedade intelectual apontam que operações desse tipo costumam envolver tanto fiscalização fiscal quanto apuração criminal, especialmente em casos de grande volume de mercadorias ou suspeita de atuação organizada. A Receita Federal não divulgou até o momento o volume estimado de produtos que poderão ser apreendidos durante a ação. (Com informações do portal de notícias g1)