Terça-feira, 15 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de setembro de 2026
A ministra Cármen Lúcia afirmou nesta terça-feira (15) estar em “estado de profunda consternação e tristeza” diante da crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) durante a sessão que analisou os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. A ministra também disse estar “um pouco até envergonhada” com a situação e pediu desculpas ao povo brasileiro.
A manifestação ocorreu durante a sessão extraordinária convocada para analisar uma questão de ordem sobre os procedimentos relacionados aos dois ministros. O julgamento foi marcado por divergências entre integrantes da Corte, acusações e bate-bocas no plenário.
“Eu estou nesta sessão, como talvez muitos dos meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza”, afirmou Cármen Lúcia. Segundo a ministra, a situação não se restringia ao conteúdo dos processos em análise, mas também às consequências da crise para a imagem do Judiciário e para a sociedade.
Cármen Lúcia afirmou que o Supremo provocou um “mal-estar cívico” nos últimos dias e lamentou que a atenção da população estivesse concentrada nos conflitos internos da Corte em um período próximo às eleições.
“O povo brasileiro deveria estar focado em ver a eleição geral, mas o único assunto que eu via nas farmácias, na padaria, nos telejornais, o assunto era sempre o que estava acontecendo aqui”, disse a ministra.
Ela também afirmou que o Poder Judiciário deveria contribuir para transmitir tranquilidade à população, mas avaliou que a atuação do STF nos últimos dias produziu o efeito contrário.
“O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade”, declarou.
A ministra disse ainda que poderia ter adotado uma postura diferente para contribuir com a redução das tensões no tribunal e pediu desculpas aos brasileiros.
“Eu peço, de certa maneira, desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”, afirmou. Cármen Lúcia também se desculpou diante dos demais ministros.
A fala ocorreu em uma sessão marcada por confrontos entre integrantes do STF. Em um dos episódios, Gilmar Mendes e André Mendonça discutiram durante a manifestação sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Gilmar disse a Mendonça “pode chorar”, e o ministro respondeu: “Aqui não tem choro. Respeite”.
O ministro Flávio Dino pediu vista durante a análise da questão de ordem, interrompendo o julgamento. Posteriormente, Cármen Lúcia antecipou seu voto e acompanhou a posição pela separação dos procedimentos. A sessão terminou sem uma decisão definitiva sobre a forma de tramitação dos casos.
A crise analisada pelo STF está relacionada às apurações envolvendo o Banco Master e às mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira. O conteúdo dos diálogos motivou questionamentos envolvendo Moraes e também procedimentos relacionados a Mendonça.
Ao longo da sessão, os ministros também divergiram sobre a relatoria dos procedimentos e sobre a condução das apurações. Moraes e Mendonça trocaram acusações, enquanto Gilmar Mendes e Flávio Dino fizeram críticas à condução do processo pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Cármen Lúcia afirmou que a crise também atingiu o sentimento de Justiça da população. Para a ministra, a exposição dos conflitos internos do Supremo e a forma como a sessão foi conduzida contribuíram para aumentar a preocupação dos brasileiros em relação ao funcionamento do Judiciário.