Quinta-feira, 09 de dezembro de 2021

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Ministro do Meio Ambiente diz que o problema não é a matriz energética brasileira nem a agricultura, mas o desmatamento e crimes ambientais na Amazônia

O Brasil volta ao jogo do clima. “Com mais negociação e menos política, fomos à COP-26 com um único objetivo: criar o mercado global de carbono”, contou o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite, em entrevista ao Estado de S. Paulo.

O Banco Central e o ministério do Meio Ambiente, aliás, farão na segunda semana de fevereiro, no Jardim Botânico do Rio, um evento sobre o mercado de crédito de carbono.

Mas como se deu a mudança de posição de Bolsonaro? Pressão externa?

“O presidente entendeu a oportunidade do crescimento verde e de geração do emprego verde. O mais importante a ser dito, entretanto, é que o presidente entendeu que meio ambiente não é apenas punição, mas vantagem competitiva do Brasil. Foi ele que autorizou criar as bases do Programa de Crescimento Verde, montado pelas pastas Economia e Meio Ambiente, que vai acelerar, priorizar e incentivar projetos verdes”, explica o ministro.

A missão era aprovar o mercado global de carbono em situação adversa ante a imagem brasileira aqui e lá fora. A estratégia montada foi atuar previamente à COP com vários países, mostrando que “o Brasil é, sim, um líder nas negociações”.

Leite conta que nas reuniões ficou claro que os países em desenvolvimento mais frágeis entendem que o Brasil é a voz para pressionar os países ricos, tanto pelo tamanho de sua economia quanto por suas características naturais.

Ressalta que também ajuda termos um pouco de país frágil em algumas regiões, um pouco de país desenvolvido e rico em outras. Ou seja, o Brasil tem problemas de emissão de poluentes por desmatamento e, ao mesmo tempo, problemas de emissão industrial. “Poucos têm essa mistura”, observa.

Com mais de 60 reuniões antes de a COP começar, o governo federal levou um Brasil real, para mostrar uma imagem além das questões de desmatamento ilegal.

“No maior estande brasileiro já montado, reunimos mais de 100 casos do que estamos fazendo. E “virtualizamos” nosso estande em Brasília, porque nem todo mundo tem recursos para ir até Glasgow”. O País pôde apresentar cases de sucesso do Brasil, que foram da agroflorestal na Amazônia à mineração sustentável no Cerrado.

Conhecido pelo perfil técnico, Leite foi um dos responsáveis pela volta da participação do setor privado ao mercado de carbono de floresta nativa, proibida desde 2015.

“Os projetos privados são mais eficientes e geram muito mais empregos diretos na floresta”, explica. O que o Brasil fez em Glasgow? “Pressionamos quando necessário e articulamos na busca do consenso sobre o texto proposto especialmente em relação ao mercado de carbono”, explica.

Nos últimos dias do evento, segundo o ministro, a missão brasileira conseguiu articular – principalmente com Índia, China, EUA, mais a UE e a própria presidência da Conferência do Clima – um consenso incluindo também os países africanos. “No sábado, às 6 horas da tarde, voltamos para o plenário e aprovamos o acordo global de clima com o mercado de carbono, muito bom para o Brasil”, resume.

Segundo Leite, a equipe brasileira foi a que mais comemorou o fechamento do pacote “porque ela entende, claramente, que estamos atravessando um momento muito desafiador e que podemos ser um grande exportador de crédito de carbono”.

Mas o que é esse tal mercado global de carbono? “Trata-se de um sistema em que os países e empresas que atingem suas metas de redução de gás carbônico e de efeito estufa podem vender seus créditos excedentes a outro país e empresas que não bateram sua meta.” Cada tonelada de gás carbônico equivale a um crédito de carbono.

Tudo indica ser essa uma chance de recuperar a liderança do País na corrida ambiental. O ministro avisa, entretanto, que o Brasil precisa continuar atuando contundente para resolver suas fragilidades, especialmente o desmatamento ilegal: “Nossa matriz energética não é um problema, nossa agricultura também não, nem o metano. Nossa fragilidade é o desmatamento e crimes ambientais na Amazônia”.

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