Sábado, 30 de maio de 2026

Multiplicação de assentos de categoria acima da econômica pelas companhias aéreas amplia conforto, mordomias e o lucro por passageiro

Há 25 anos operando pelo modelo de baixo custo, a Gol terá voos internacionais com classe executiva a partir de meados deste ano. Já a Latam contará com a economy premium — meio caminho entre a business e a econômica — em suas linhas para o exterior a partir de 2027, quando os novos A321XLR chegarão à frota já com uma executiva renovada, com assentos que reclinam 100%.

Elas acompanham movimento global: a multiplicação de assentos de categoria acima da econômica pelas companhias aéreas, ampliando conforto, mordomias e o lucro por passageiro. E freiam a expansão da classe mais acessível puxada pela ascensão de empresas low-cost a partir dos anos 1990.

Essa “premiumrização” ganhou fôlego no pós-pandemia, sobretudo a partir de meados de 2023, segundo dados da Associação Internacional da Aviação Civil (Iata, na sigla em inglês). De lá para cá, esses assentos avançam à frente da expansão na classe econômica. Para se ter uma ideia, em maio de 2024, o número de passageiros voando em classes premium havia saltado 43% ante a janeiro de 2023. Na econômica, a expansão nesse mesmo período ficou em 23%.

As aéreas entenderam que a diferença entre quantidade e qualidade era o caminho para lucrar. A primeira classe e a executiva foram apenas 3,6% do total de passageiros na aviação comercial em 2025, reporta a Iata. Só que as tarifas premium, que na média são cinco vezes mais altas que as da econômica, somam 15% da receita vinda dos passageiros.

Não à toa, no centro da transformação dos aviões está a economy premium — o ponto de evolução em serviços, conforto e preço — entre a área mais nobre da aeronave, onde estão executiva e primeira classe, e a econômica.

E há outro fator. A retomada do tráfego de passageiros no pós-pandemia combinada a uma limitação em expansão de frota — retesada pela parada na indústria no período da Covid-19 — vem fazendo com que a maior parte dos voos opere com alta ocupação. A média global no fim de 2025 alcançou 84%. Assim, trata-se de um caminho para ampliar os lucros por voo.

Menos 1ª classe

“Em 2025, a capacidade em assentos premium cresceu 117% na comparação com o patamar de 2019, com crescimento mais rápido que o de outros segmentos, como o da econômica, que ficou em 106%”, conta Simone Tcherniakovsky, diretora-geral da Iata no Brasil.

Ela explica que a redução em oferta vem acontecendo na primeira classe. Na visão da executiva, a alta ocupação dos aviões e o custo operacional mais elevado estão levando as companhias a pensar com mais cuidado como alocam capacidade.

Em linhas gerais, um bilhete de economy premium pode garantir ao passageiro benefícios como marcação de assento, melhores condições de remarcação da passagem, embarque prioritário, agilidade no processo de checagem de segurança e acesso a lounges especiais em aeroportos. Sem falar em pontuação generosa em programas de milhagem.
Relatório do último trimestre de 2025 da Iata mostra que América Latina e Caribe registraram expansão de 5,5% em 12 meses em tráfego de passageiros. No internacional, a expansão foi de de 6,6%, com um salto de 13,2% nas classes premium.

“A economy premium é uma indulgência, mais confortável e cabe no bolso. E atrai um passageiro que gera muito mais receita para a companhia”, diz Mariana Andrigui, pesquisadora de Turismo da USP. Segundo ela, a primeira classe, o luxo extremo, como o das companhias da região do Golfo Pérsico, tem menos passageiros. “O que pesa não é o volume, mas o valor simbólico e a margem”, diz a pesquisadora.

Nova classe executiva

A Gol diz que a Insignia, sua nova classe executiva, “é pilar central do plano de internacionalização da companhia, que visa elevar receita, alcançando ainda mais perfis de clientes”.

Para o passageiro, a nova classe vem acompanhada de ganhos como assentos que viram cama, serviço de bordo assinado pelo chef Felipe Bronze — duas estrelas Michelin —, além de check-in prioritário e lounges em aeroportos.

A Azul, recém-saída de seu processo de reestruturação, não tem mudanças previstas. Mas oferece assentos Espaço Azul em voos domésticos, além de executiva nas linhas internacionais.

A Latam, que tem a economy premium em seus voos domésticos desde 2020, vai implementar essa classe de assentos em seus voos internacionais de longa distância a partir do ano que vem. A empresa afirma que esse tipo de oferta “faz mais sentido especialmente em voos longos, onde os passageiros podem valorizar atributos como conforto, descanso, privacidade e uma experiência de viagem mais diferenciada”.

Com um compromisso para receber mais de dez aeronaves A321XLR, a Latam terá também uma nova executiva premium em voos internacionais. Os assentos serão totalmente reclináveis, oferta inédita em aviões de corredor único na América do Sul. (As informações são de O Globo)

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