Sexta-feira, 24 de julho de 2026

Na terceira idade, a capacidade de caminhar com qualidade é um importante indicador de saúde

Na terceira idade, a capacidade de caminhar com equilíbrio é um importante indicador de saúde. Estudos mostram o que pode ser uma ajuda essencial para manter essa habilidade: a prática regular de exercícios. Pesquisas apontam que grande parte dos problemas de equilíbrio está associada à falta de atividade física e ao sedentarismo, não apenas às mudanças naturais trazidas pelo envelhecimento.

Segundo Talita Cezaretu, profissional de Educação Física e especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, manter a rotina de exercícios físicos é uma das estratégias mais eficazes para preservar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas em idosos.

“O equilíbrio e a marcha dependem da coordenação integrada de múltiplos sistemas, incluindo nervoso, musculoesquelético, cardiopulmonar e sensorial. Com o envelhecimento, podem ocorrer alterações nesses componentes, como a redução da acuidade visual e auditiva, a diminuição da velocidade de reação e mudanças qualitativas no padrão da marcha. Destacam-se ainda a perda de massa muscular, de força e de potência muscular, além do desgaste ósseo progressivo”, afirma Talita.

Um dos sinais de alerta é a velocidade ao caminhar. Se for inferior a 1,0 m/s, merece atenção. Em um estudo com pessoas de 75 anos ou mais, andar abaixo de 0,7 m/s foi associado a risco 5,4 vezes maior de novas quedas e 5,9 vezes maior de hospitalização.

Outros pontos que exigem atenção são: necessidade de usar os braços para levantar da cadeira, arrastar os pés, caminhar com a base de apoio mais alargada, dar passos desiguais, hesitar antes de começar a marcha e dificuldade crescente para fazer atividades cotidianas. Tontura, fadiga excessiva, medo de cair e o abandono de atividades ou de locais antes frequentados podem indicar comprometimento do equilíbrio e da mobilidade.

“A identificação precoce dessas alterações permite investigar suas possíveis causas e indicar intervenções individualizadas, como o treinamento multicomponente, contribuindo para preservar a funcionalidade, reduzir o risco de quedas e prevenir lesões”, ressalta a especialista.

De acordo com ela, não existe uma modalidade de exercício físico isolada que seja suficiente para preservar o equilíbrio. O mais indicado é um modelo de intervenção mais amplo, conhecido como treinamento multicomponente. Esse programa combina exercícios de fortalecimento muscular progressivo, treinamento da capacidade aeróbica, equilíbrio e mobilidade.

O Consenso Global sobre Recomendações Ideais de Exercícios para Promover a Longevidade Saudável em Idosos destaca que a combinação de treinamento de força de moderada a alta intensidade com exercícios de equilíbrio é a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de quedas e preservar a capacidade funcional.

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