Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de setembro de 2026
O trabalho de reconstrução das rotas comerciais destruídas pelas enchentes catastróficas no Nepal já começou. Uma nova ponte sobre o rio Tadi, chamada de “ponte da esperança” pelo Exército nepalês, é um dos primeiros sinais de recuperação.
O Nepal precisará de muita esperança. O país começa a enfrentar uma crise econômica provocada pelo desastre que, segundo autoridades do governo, deverá custar pelo menos US$ 5 bilhões apenas em despesas de reconstrução.
O valor não leva em conta, porém, os impactos indiretos da perda de infraestruturas essenciais para o transporte de pessoas e mercadorias. “Essa enchente repentina não é um desastre de um único setor”, disse Nischal Dhungel, pesquisador do Nepal Institute for Policy Research que estuda a economia do país.
“Seus efeitos atingem fazendas, usinas de energia, corredores comerciais, turismo, empresas e seguros, conectando as perdas das famílias à recuperação da economia nacional.” Vários países importantes já prometeram assistência humanitária e financeira ao Nepal, entre eles Estados Unidos, China e Índia.
O Exército nepalês publicou um vídeo da nova ponte no X com a mensagem: “O desastre destruiu — estamos reconstruindo a ponte da esperança”.
Mas parte do apelo do Nepal por mais ajuda internacional vem da preocupação de que enchentes extremas se tornem mais frequentes à medida que o aumento das temperaturas derreta as geleiras do Himalaia. Cientistas acreditam que o episódio recente foi provocado pelo enorme colapso de uma geleira, que desencadeou um deslizamento de terra.
Especialistas ainda estudam qual foi o papel das mudanças climáticas no desastre, mas o aumento das temperaturas vem desestabilizando as geleiras e as encostas congeladas das montanhas do Nepal.
Os líderes nepaleses deixaram claro que atribuem parte da responsabilidade pelo desastre — e pela necessidade de arcar com seus custos — aos países maiores, que respondem por uma parcela muito superior à do Nepal, de apenas 0,1%, das emissões globais.
O país já solicitou US$ 20 milhões em compensação a um fundo das Nações Unidas criado para ajudar países em desenvolvimento atingidos por perdas relacionadas às mudanças climáticas.
“A contribuição do Nepal é extremamente baixa, mas estamos entre os países que arcam com as consequências dos problemas criados por essas emissões”, disse o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, em entrevista à imprensa nepalesa. “Nesse sentido, o Nepal precisa se manter firme e transformar essa questão em uma questão de justiça em nível internacional.”