Sexta-feira, 24 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de julho de 2026
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quer receber o presidente da Argentina, Javier Milei, com um tapete azul, em vez do tradicional vermelho, no Palácio dos Bandeirantes, neste sábado (25).
O gesto é referência à chamada “onda azul” na América Latina, que tem levado governos de direita ao poder nos últimos meses, em países como Bolívia, Chile, Colômbia e Peru.
Milei vem ao Brasil para prestigiar a convenção do PL, que formalizará a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, e fará também uma visita a Tarcísio.
O próprio governador costuma brincar que não gosta de usar vermelho, nem fazer referências à cor, associada ao PT e à esquerda.
Após a visita ao Brasil, o líder argentino viajará em seguida ao Peru para a posse de Keiko Fujimori, em 28 de julho; ao Equador, para conversas com o presidente conservador Daniel Noboa; e à Colômbia, para a posse do direitista Abelardo de la Espriella, em 7 de agosto.
No Brasil, o argentino não tem previsto encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A vitória de Milei na Argentina em 2023 iniciou uma onda de eleições na América Latina vencidas por candidatos alinhados à direita ou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em toda a América Latina, preocupações com a criminalidade e a estagnação econômica têm impulsionado conservadores ou ultraconservadores com uma agenda de “ordem em primeiro lugar, mercados em segundo e uma relação mais próxima com Washington”, disse o JPMorgan em relatório a clientes nesta semana.
A agenda de Flávio Bolsonaro, até o momento, tem muito em comum com as plataformas vitoriosas desses líderes, baseadas na defesa da lei e da ordem. Quanto à segurança pública, ele propôs reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e construir novas prisões de segurança máxima, inspirando-se no presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Na economia, ele promete cortes de impostos e privatizações para criar um governo mais enxuto, ao mesmo tempo em que critica Lula pela inflação dos alimentos, fator que prejudicou a popularidade do presidente.
Em dezembro, depois que seu pai apoiou sua candidatura — efetivamente deixando de lado o popular governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas —, Flávio Bolsonaro tentou definir-se pela moderação.
“Eu me considero, verdadeiramente, um Bolsonaro mais ao centro”, disse ele à Reuters em uma entrevista em seu gabinete em Brasília, em dezembro. Ele realizou viagens à Europa, ao Oriente Médio e a Washington — onde se reuniu com Trump e com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio —, promovendo a ideia de uma aliança conservadora global em ascensão. (Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo e do portal g1)