Domingo, 26 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de julho de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não aceitará tentativas de utilizar a relação econômica com os Estados Unidos como instrumento de pressão política ou de influência sobre o processo eleitoral brasileiro. A declaração foi publicada em artigo no jornal norte-americano The Washington Post, neste domingo (26).
“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu o presidente.
O artigo foi publicado após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negar o visto solicitado por dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo o governo brasileiro, eles viajariam ao Brasil para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral.
O Departamento de Estado, por sua vez, negou que a missão tivesse como objetivo interferir nas eleições brasileiras.
O The Washington Post revelou inicialmente os planos da viagem. Segundo a reportagem, baseada em relatos de autoridades americanas e brasileiras, os representantes do governo do presidente Donald Trump pretendiam levantar dúvidas sobre a segurança e a transparência do sistema de votação brasileiro.
No artigo, Lula também voltou a criticar o novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Com a combinação de uma alíquota de 25% e outra de 12,5%, a sobretaxa pode chegar a 37,5%, afetando diferentes setores da economia.
O presidente classificou a medida como um “erro estratégico”, afirmando que ela prejudica tanto a economia norte-americana quanto a parceria comercial entre os dois países. Segundo Lula, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor patamar desde 1997.
O chefe do Executivo afirmou ainda que tentou negociar diretamente com Donald Trump e que o governo brasileiro promoveu dezenas de reuniões técnicas com representantes norte-americanos. Apesar disso, segundo ele, Washington decidiu manter as novas tarifas.
Lula argumentou que diversos segmentos da indústria dos Estados Unidos dependem de insumos produzidos no Brasil e que o aumento das tarifas poderá elevar os custos para consumidores americanos e desorganizar cadeias produtivas integradas.
“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas, e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, escreveu.
No trecho final do artigo, o presidente defendeu uma nova relação entre os países do continente. Segundo ele, a América Latina precisa de “parceiros confiáveis e previsíveis”, e não de sanções econômicas ou demonstrações de força militar.
Lula concluiu afirmando que o Brasil permanece aberto ao diálogo com os Estados Unidos, mas reiterou que as decisões sobre o futuro do país cabem exclusivamente aos brasileiros. “Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência”, escreveu.