Terça-feira, 01 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de agosto de 2026
Preso preventivamente desde o dia 18 de agosto pela morte a facadas de uma adolescente de 17 anos em Encantado (Vale do Taquari), seu ex-padrasto foi indiciado pela Polícia Civil gaúcha. O homem tem 40 anos e é réu confesso do crime, cometido em sua casa no dia anterior, durante o que ele relatou como “discussão que saiu do controle”.
A vítima foi encontrada sem vida, no local, por um irmão com quem o agressor reside. Tratado como feminicídio, o caso chocou a comunidade e chamou a atenção dos investigadores, por não se encaixar – pelo que se sabe até agora – em hipóteses como vicaricídio (quando o objetivo do homicídio é atingir psicologicamente uma terceira pessoa) ou estupro (não havia sinais de violência sexual).
Testemunhas relataram que a vítima tinha apenas 1 ano de idade quando o pai faleceu. Posteriormente, o padrasto acabou se tornando para ela a figura de referência paterna, a ponto de manterem contato após o fim do relacionamento do casal. Essa relação – facilitada pela proximidade de residências, no mesmo bairro – incluía visitas frequentes da garota ao ex-marido da mãe.
Ao todo, os três viveram 13 anos sob o mesmo teto, aparentemente sem histórico de incidentes durante ou depois da separação. No entanto, há também narrativas de que ele exercia sobre a adolescente uma posição de controle com eventuais episódios de ridigez ou mesmo de violência psicológica.
Estupro das filhas
Em Porto Alegre, um homem foi preso preventivamente nessa segunda-feira (31) por suspeita de estupro de vulnerável contra quatro filhas, de idades entre 1 e 9 anos. De acordo com informações da Polícia Civil, uma enteada de 12 anos também teria relatado abusos, motivo pelo qual deixou a residência onde vivia com o suspeito.
A investigação começou após a avó das meninas procurar as autoridades com a informação de que a adolescente contara ter sido vítima de violência sexual pelo padrasto. Alguns dias depois, a menina de 9 anos também desabafou com a família sobre o mesmo tipo de situação.
Foi quando a Polícia Civil pedi à Justiça a prisão preventiva do investigado, medida logo autorizada pela Justiça. Ele ainda tentou escapar pelo pátio de casa, em vão – ao ser capturado, ainda tentou resistir aos agentes. O caso prossegue sob investigação.
Pornografia infantil
Já na Região Central do Estado, a 2ª Vara Judicial da Comarca de São Sepé sentenciou um homem a 34 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, por estupro de vulnerável e aliciamento de adolescente para fins sexuais, além da produção e armazenamento de mais de 30 mil arquivos de pornografia infantojuvenil. Os crimes foram cometidos em 2017 e 2018, tendo como alvos um menino de 12 anos e outros menores.
Também foi fixada uma indenização de R$ 10 mil, por danos morais, à principal vítima, que sofreu ao menos cinco abusos. O condenado, que tinha 48 anos na época, não poderá recorrer em liberdade.
O juiz Frederico Ribeiro de Freitas Mendes classificou os atos como sistemáticos e reiterados ao longo dos anos: “A investigação revelou que o réu agia há anos, estuprando, produzindo conteúdo pornográfico com adolescentes e armazenando o material. Trata-se de verdadeiro estuprador em série, o que ficou amplamente comprovado pelos 32.361 vídeos, fotografias e registros de conversas”.
Ao analisar a acusação de estupro de vulnerável, o magistrado destacou a ampla quantidade de provas reunidas durante a instrução processual. Depoimentos detalharam que os garotos eram atraídos por promessas de dinheiro e presentes, mas após a aproximação era constrangido a manter relações sexuais com o homem, que também ameaçava divulgar as imagens dos abusos caso se recusasse a atender às exigências.
O abusador era resposável por um time de futebol infantojuvenil para segmentos de baixa renda e por meio do qual facilitava a aproximação e contato com potenciais alvos. Em seu computador foi encontrado um sistema organizado de armazenamento dos arquivos com imagens das crianças e adolescentes, por meio de pastas virtuais identificadas pelo nome de cada menor e que mostravam atos libidinosos ou mesmo de conjunção carnal.
(Marcello Campos)