Sábado, 09 de maio de 2026

Novo fenômeno “El Niño” deve ter impacto climático no RS a partir do próximo semestre

Nota técnica divulgada pelo Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Plano Rio Grande indica a ocorrência de novo fenômeno “El Niño” no próximo semestre, com impactos no Rio Grande do Sul. Conforme o colegiado, os gaúchos devem estar preparados para chuvas acima da média na primavera e calor atípico durante o inverno, mas ainda não é possível saber se haverá desastre climático menor, similar ou maior que o de maio de 2024.

Um prognóstico mais exato depende de análises complementares e do próprio desenrolar da situação ao longo dos próximos meses. “Mas já se sabe, com certeza, que ocorrerá algum tipo de impacto à população e atividades no Estado”, ressalva o grupo de especialistas.

Vale lembrar que o inverno no Hemisfério Sul (onde o Brasil está localizado) ocorre no período entre 21 de junho e 22 de setembro. Em seguida se dá a primavera, até 21 de dezembro.

O “El Niño” não causa cenários catastróficos por si só, porém aumentar a probabilidade de eventos extremos como chuvas intensas, tempestades, inundações, enxurradas e movimentos de massa. O texto ainda faz recomendações sobre atualização nos planos de contingência, mesmo assim o cenário reforça a necessidade de preparação por parte da gestão pública, com planos de contingência estruturados, atualizados e devidamente comunicados à população.

Intitulada “Nota Técnica nº 3” e disponível na página virtual da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (sict.rs.gov.br), a nota explica que o “El Niño” é um fenômeno natural do Oceano Pacífico tropical. Dentre suas principais caraterísticas está o aquecimento anormal das águas na faixa equatorial, com capacidade de influenciar o clima em diferentes regiões do mundo.

“O tempo severo no Sul do Brasil durante o ‘El Niño’ não se resume a mais chuva. Estudos mostram que durante o fenômeno aumenta na região número de dias com chuva intensa, a frequência de tempestades severas e quedas de granizo, com frequência e intensidade que tendem a aumentar sobretudo na primavera.

Monitoramento

Em outro trecho, ressalta que: “A utilização integrada do monitoramento e do prognóstico probabilístico fornece aos municípios e ao setor produtivo o embasamento necessário para a tomada de decisão preventiva. Embora a limitação técnica dos modelos impeça de determinar com meses de antecedência a exata distribuição espacial e temporal das chuvas ou quais bacias hidrográficas serão expostas aos maiores volumes de precipitação, o prognóstico sazonal baliza a adequação de rotinas operacionais e a mitigação dos danos”.

A nota acrescenta: “Realizada pelos meteorologistas com treinamento e certificação para previsão de tempo severo e extremos hidrometeorológicos, a previsão de tempo operacional será ferramenta fundamental no gerenciamento de risco. Portanto, é importante que os órgãos da gestão pública, Defesa Civil e entes do setor produtivo revisem seus planos de ação e contingência, para preparação prévia da infraestrutura, para garantia dos serviços essenciais à população”.

Por fim, o documento sublinha que a adoção antecipada destas diretrizes constitui importante estratégia para conter possíveis perdas humanas e socioeconômicas: “Além dos aspectos operacionais dos planos de contingência e da preparação da infraestrutura, é fundamental garantir comunicação clara e acessível à população, para que compreenda os riscos e saiba como agir em caso de eventos extremos”.

(Marcello Campos)

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