Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de maio de 2026
O Dia das Mães costuma ser retratado como um domingo de abraços, almoços em família, flores, fotografias antigas e mensagens emocionadas nas redes sociais.
Para muitos, realmente é isso. Um momento de reencontro com memórias felizes, carinho, gratidão e amor.
Mas existe um outro lado silencioso desse dia que quase ninguém gosta de olhar. O lado daqueles que já perderam suas mães.
Para essas pessoas, o Dia das Mães às vezes chega como um vento silencioso cheio de lembranças. Um perfume antigo. Uma música esquecida. Uma cadeira vazia na mesa. Um número de telefone que nunca mais será chamado, e até mesmo situações em que você se pega lembrando dos conselhos da sua velha mãezinha.
Alguns talvez lembrem daquela habilidade única de arremessar uma sandália Havaianas a uma distância digna de um atleta olímpico.
Outros tiveram a infelicidade de perder suas mães ainda muito jovens. Esse é um buraco que fica no coração, porque é justamente na juventude que a dependência de um filho com sua mãe costuma ser maior.
É como se ela fosse o seu próprio universo, e a dor de um jovem ou adolescente ao perder a mãe é algo realmente assustador.
Muitos carregam essa ausência pela vida inteira e tentam preencher esse vazio de outras formas, até mesmo através da própria família, da esposa e dos filhos.
Outros perderam suas mães já em idade mais avançada. E aí você pensa que talvez a dor seja menor, justamente por essas pessoas terem tido mais tempo ao lado delas… Mas não. Talvez seja até o contrário.
Justamente por ter vivido tanto, aprendido tanto, sofrido tanto e chorado tanto junto com ela, esse vínculo se torna ainda mais forte, e a dor pode ser muito maior.
E pior do que a saudade, muitas vezes vem a culpa. A culpa de não ter dado mais atenção. De não ter abraçado mais. De não ter viajado com ela, promovido mais almoços, mais encontros.
De ter brigado por bobagens. De ter dito coisas que a magoaram. De ter passado tempo demais ocupado com a própria vida acreditando que ainda haveria tempo.
Porque a verdade é que quase ninguém está preparado para perder a própria mãe. Mesmo adultos. Mesmo fortes. Mesmo maduros.
Existe algo dentro de nós que se quebra diante dessa perda. Um vazio estranho, uma sensação de desamparo, uma dor que não tem mais volta.
Talvez porque, no fundo, a presença de uma mãe nos dá uma sensação inconsciente de continuidade da vida. Como se uma parte do mundo ainda estivesse em ordem enquanto ela continua ali.
E quando ela parte, fica uma dor irreversível. Uma dor estranha, silenciosa e permanente.
Mas talvez exista algo importante que precisa ser dito para quem carrega arrependimentos no coração: acalma a sua alma.
Se você conheceu verdadeiramente sua mãe, então sabe que ela provavelmente já havia lhe perdoado muito antes de partir. Porque existe um tipo de perdão que só uma mãe é capaz de oferecer.
Um amor tão profundo que sobrevive até mesmo aos ruídos, às discussões, aos afastamentos e às palavras mal ditas. Mães conhecem nossas falhas como ninguém.
E mesmo assim continuam nos amando. Às vezes em silêncio. Às vezes preocupadas. Às vezes machucadas. Mas amando…
Talvez algumas pessoas nunca tenham conseguido dar o último abraço. Talvez nunca tenham tido coragem de dizer “eu te amo”. Talvez a última conversa tenha sido uma discussão.
E isso dói. Meu Deus… como dói.
Mas não transforme essa dor em prisão eterna dentro do seu coração. Porque o amor de uma mãe não costuma ser enterrado junto com ela.
Ele permanece. Nos gestos que aprendemos. Nas frases que repetimos sem perceber. Nas manias herdadas. Na comida preferida. Nos conselhos que um dia ignoramos… e hoje entendemos perfeitamente.
E, talvez, seja justamente isso que torna essa relação tão poderosa. Uma mãe continua existindo dentro dos filhos até mesmo depois de partir.
Hoje, graças a Deus, amadureci e ainda tenho minha mãe ao meu lado.
Aprendi a viver um dia de cada vez. E quer saber? Até os pequenos ruídos da convivência hoje me fazem sorrir.
Porque quando amadurecemos, entendemos uma coisa profundamente dolorosa: um dia sentiríamos saudade até das implicâncias.
Por isso, se sua mãe ainda está viva, aproveite.
Abracem-se mais. Conversem mais. Tenham paciência. Eu sei que isso é difícil, mas é muito importante. Porque a vida passa numa velocidade assustadora.
E muita gente daria tudo para ter apenas mais cinco minutos ao lado da própria mãe. Nem que fosse só para ouvir sua voz mais uma vez.
Então, se você ainda pode fazer isso aproveita que terminou de ler e ligue para sua mãe para dizer o quanto você a ama…
* Fabio L. Borges, jornalista, cronista e poeta gaúcho