Sábado, 24 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de outubro de 2026
O segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) promete uma disputa acirrada. Além dos votos recebidos pelos candidatos, pesquisadores acompanham a abstenção e os votos brancos e nulos, fatores que podem influenciar o resultado.
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio ficou à frente de Lula por cerca de 2,2 milhões de votos, diferença de 1,8 ponto percentual.
A última pesquisa Quaest, divulgada nesse sábado (24), véspera do segundo turno, aponta Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula, configurando empate técnico dentro da margem de erro. No cenário de votos totais, Flávio registra 46% das intenções de voto, enquanto Lula tem 45%. Votos brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar somam 8%, e 1% está indeciso.
O levantamento ouviu presencialmente 3.702 pessoas com 16 anos ou mais, entre 23 e 24 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09158/2026.
Abstenção
No primeiro turno, a abstenção foi de 21,08%. Historicamente, ela tende a crescer no segundo turno, embora em 2022 tenha caído 0,4 ponto percentual. O cientista político Rodrigo Mahlmeister, pesquisador da Universidade Duke, avalia que a mobilização das campanhas pode estimular mais eleitores a votar, mas considera improvável uma redução expressiva.
Para ele, o resultado dependerá principalmente do comparecimento, do desempenho dos candidatos no Nordeste e da capacidade de Lula de conquistar eleitores de outros candidatos — ou de Flávio manter os apoios já obtidos.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, destaca que a conversão de votos brancos e nulos em votos válidos pode fazer diferença. Em 2014, essa mudança contribuiu para a vitória apertada de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves. Segundo Nunes, um movimento semelhante poderia favorecer Lula.
Mahlmeister, porém, afirma que as pesquisas ainda não mostram uma tendência clara de migração de votos. A maioria dos eleitores parece manter sua escolha: a Quaest indicava que Lula conservava 95% dos seus eleitores do primeiro turno, e Flávio, 94%.
Transferência
Uma análise do cientista político Jairo Nicolau estima que, se os candidatos mantiverem seus eleitores e Flávio receber mais votos da chamada terceira via, o senador poderia alcançar 51,4% dos votos válidos, contra 48,6% de Lula.
Mesmo em um cenário mais favorável ao petista, com redução da abstenção e transferência de votos brancos e nulos, Lula precisaria conquistar parte dos eleitores de Flávio para superar a vantagem. Isso ocorre porque cada eleitor que muda de lado reduz um voto do adversário e acrescenta um ao candidato escolhido.
Mahlmeister considera que uma virada é possível, mas difícil, pois o eleitorado está bastante consolidado. As principais oportunidades de Lula estariam entre eleitores de candidatos derrotados, indecisos — especialmente mulheres — e beneficiários de programas sociais.
Nordeste
O Nordeste será decisivo porque Lula costuma abrir vantagem expressiva na região. Entretanto, Flávio ampliou seu apoio em cidades do interior nordestino no primeiro turno. Se Lula não conseguir manter uma margem elevada, poderá ter dificuldade para compensar o desempenho do adversário no Sul e no Centro-Oeste.
No Sudeste, o pesquisador recomenda observar os números absolutos, especialmente nas capitais, onde a abstenção ficou acima da média nacional nas cinco maiores cidades do país.
Mahlmeister também alerta que os primeiros boletins da apuração não determinam o resultado final. A ordem de contagem das urnas varia entre eleições, e um candidato pode começar à frente e terminar atrás.
A abstenção, os votos brancos e nulos, a transferência de votos e as diferenças regionais são indicadores importantes para interpretar a disputa, mas nenhum deles, isoladamente, permite prever o vencedor. (Com informações da BBC News Brasil)