Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de setembro de 2026
O presidenciável Renan Santos (Missão) afirmou nessa quarta-feira (9) que, diante dos desdobramentos recentes da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), não há mais “institucionalidade” na Corte. A declaração ocorreu após o ministro Flávio Dino suspender a decisão do colega André Mendonça, que havia determinado, no dia anterior, o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
“O STF virou uma loucura. Um (ministro) passando por cima do outro. É tudo insano. Um país que perdeu todo o sentido. O que cabe é chegar na Presidência da República e colocar ordem no galinheiro”, afirmou Renan.
Outros presidenciáveis de direita também repercutiram a decisão de Dino e os desdobramentos da crise no STF.
Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que os ministros da Corte já “passaram de todos os limites”, mas avaliou que a postura de Flávio Dino “supera qualquer patamar”.
“Virou imperador do Brasil e implodiu a segurança jurídica. Ditadura da Toga, não!”, escreveu Caiado nas redes sociais.
Romeu Zema (Novo) também criticou a decisão de Dino e reiterou o apoio a André Mendonça.
“Esse é o Brasil dos intocáveis. Andrei volta ao cargo um dia depois de ser afastado por indícios mais que suficientes de envolvimento com (Daniel) Vorcaro (do Banco Master)”, afirmou Zema no X.
Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, classificou como “canetada ao arrepio da Constituição” a decisão de Dino. Durante uma agenda de campanha em Juiz de Fora (MG), o senador defendeu que o presidente do STF, Edson Fachin, adote medidas para suspender a decisão e convoque uma sessão plenária para discutir os pontos ainda em aberto.
“É uma canetada totalmente ao arrepio do que diz a Constituição. Espero sinceramente que o presidente do Supremo, Edson Fachin, tome, ainda hoje, alguma decisão, começando por suspender essa liminar do Flávio Dino e convocando imediatamente uma sessão plenária para que se decida sobre essas questões em aberto, de forma transparente”, disse Flávio.
Augusto Cury (Avante) não avaliou publicamente a decisão de Dino, mas defendeu uma mudança no processo de escolha do diretor-geral da Polícia Federal. Para ele, o presidente da República deveria escolher o chefe da corporação a partir de uma lista tríplice elaborada pelos próprios delegados federais.
“Eu não vou questionar a questão do Flávio Dino”, disse Cury nessa quarta-feira. “Para não haver interferência na PF, deveria haver uma lista tríplice de delegados federais, escolhida pelos próprios delegados federais. E (após isso) o presidente escolhe um delegado a partir desta lista tríplice.”
Crise no STF
A crise no Supremo ganhou força após André Mendonça, relator do caso Master, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apresentava mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes. Dois dias depois, Moraes pediu a investigação de Mendonça com base em outro relatório produzido pela PF, que apontava suspeitas de irregularidades na condução das apurações pelo relator do caso Master.
Mendonça reagiu questionando a atuação da Polícia Federal e, posteriormente, determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da corporação. Nesta quarta-feira, porém, Flávio Dino suspendeu a medida e determinou o retorno de Andrei ao comando da PF, ampliando a tensão entre os ministros da Corte.
Também nessa quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou sobre os desdobramentos do caso Master. Em uma publicação nas redes sociais, Lula classificou o episódio como o “maior crime financeiro da história do Brasil” e afirmou que a crise exige medidas imediatas e maior transparência por parte do Poder Judiciário.
“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu o presidente.
Lula também defendeu a abertura integral das investigações sobre o caso.
“Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirmou. (Com informações do jornal O Globo)