Sexta-feira, 08 de maio de 2026

Operação da Polícia Federal que chegou em Ciro Nogueira aponta que proposta de delação premiada de Vorcaro é insuficiente

A operação da Polícia Federal (PF) em torno da participação do senador Ciro Nogueira no esquema do Banco Master aponta que a proposta de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro é insuficiente para avançar nas investigações do caso.

Nesse cenário, a avaliação na PF é que se Vorcaro não avançar nas informações, sua delação não será aceita.

“Já tem muita prova. A investigação tem materialidade forte. A operação de hoje mostra que já se avançou muito. O celular do Vorcaro já é uma delação”, ressalta uma fonte que acompanha as investigações.

“Até aqui, Vorcaro tenta justificar muito mais os fatos que já surgiram do que de fato colaborar para o esclarecimento do caso”, completou.

Caso Vorcaro mantenha essa estratégia, a própria Polícia Federal sinaliza que deve rejeitar a proposta de delação do ex-banqueiro.

Para integrantes da Polícia Federal, há sinais de uma divisão de estratégia na defesa de Vorcaro. “Um grupo quer trazer tudo e avançar com os fatos. E um outro grupo aposta que o sistema vai resolver por envolver muitos atores”, observou essa fonte.

Supremo

Diante da apresentação da proposta de delação premiada do ex-banqueiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou que a devolução integral do dinheiro desviado por meio de corrupção será condição fundamental para que o acordo de colaboração seja homologado.

A análise dos anexos da proposta de delação será feita pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela PF. Caso haja avaliação de que Vorcaro avançou de fato nas investigações, a homologação será analisada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça.

A partir de agora, haverá uma negociação da defesa de Vorcaro com a PGR e a PF. Mas, tudo estará condicionado ao ressarcimento de valores.

A avaliação no Supremo é que devolução terá que ser feita de imediato. Ainda que parte dos recursos já tenha sido gasta pelo banqueiro, a cobrança acontecerá para o ressarcimento monetário do que estiver em poder de Vorcaro. Mesmo valores que estejam no exterior, terão de ser devolvidos.

Também não será aceito o modelo feito na Operação Lava-Jato, em que empresas fizeram acordo de devolução de recursos de forma parcelada em vários anos. A percepção no Supremo é que isso não deu certo.

A defesa de Vorcaro vai ter que apontar onde estão os recursos do ex-banqueiro frutos de crime aqui no Brasil e no exterior, inclusive imóveis. (Com informações do colunista Gerson Camarotti, do portal de notícias g1)

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