Sexta-feira, 01 de julho de 2022

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Para muitos nova-iorquinos, tradicional maratona serviu como metáfora para a árdua recuperação da cidade que foi um dos lugares mais devastados pela covid-19

Os corredores se reuniram na escuridão do início da manhã, em Staten Island. Passaram por canhões de confete no Brooklyn e por uma banda de heavy metal no Queens. Depois de serem aplaudidos no South Bronx, correram por Manhattan e terminaram no Central Park, onde voluntários os recebiam com medalhas e a torcida aplaudia nas arquibancadas.

Depois de ser cancelada no ano passado por causa da pandemia do coronavírus, a Maratona de Nova York voltou no domingo (7) para sua 50ª edição. Para muitos nova-iorquinos, a corrida serviu como uma metáfora para a árdua recuperação da cidade que foi um dos lugares mais devastados pela pandemia, uma oportunidade de expressar orgulho e se entregar à comunidade após meses de lockdowns e tentativas frustradas de reabertura.

A corrida ainda foi limitada em alguns aspectos. Os 30 mil participantes somaram um grupo cerca de 40% menor que o de 2019, que contou com mais de 53 mil maratonistas. Os corredores se espalharam por cinco ondas, a intervalos maiores entre suas largadas do que nos anos anteriores. Os organizadores da corrida tentaram reduzir o tamanho da multidão ao redor dos postos de hidratação e abastecimento, e as festividades na linha de chegada foram relativamente contidas.

Mesmo assim, foi difícil escapar do otimismo coletivo, uma sensação reforçada pelo sol quente, o ar fresco e a folhagem colorida de outono ao longo do percurso e na chegada no Central Park.

“Parecia uma festa de boas-vindas”, disse Joe Shayne, técnico do clube de corrida TeamWRK, após terminar a maratona. Shayne disse que os clubes de corrida locais se juntaram com força durante a corrida para comemorar o retorno da maratona.

Rykiel Levine, médica-residente do pronto-socorro do Hospital Lincoln, no Bronx, se apresentou como voluntária pela primeira vez. “Isso significa que o mundo está voltando ao normal, o que é realmente emocionante”, disse ela. “E é muito bom ver a cidade se unindo e se conectando e nos fazendo sentir que esta pandemia pode ter ficado para trás”.

A maratona trouxe muitas cenas familiares de volta à cidade.

Para alguns participantes, como Grace Ackerman, a volta significava esquentar os nervos. Ela estava para correr sua primeira maratona e, sentada no chão da estação da balsa de Staten Island antes da largada, comia manteiga de amendoim com torrada. Ackerman, 23 anos, disse que ela se concentraria no seu treinamento – mesmo que ficasse fisicamente cansada. “Eu treinei muito e, no fim das contas, vou conseguir”, disse ela. “Eu só preciso me lembrar disso”.

Para outros, a questão era encontrar a melhor maneira de apoiar os participantes da corrida. Boris e Yelena Sobolev, um casal de Staten Island, são voluntários na maratona há seis anos. Na área de largada no domingo, Boris disse que estava “muito animado.”

“Eles têm tanta energia que você literalmente a sente no ar”, disse ele. Yelena acrescentou: “Fiquei muito chateada no ano passado. Você fica energizada o ano todo, é incrível. Você tem que sentir isso”.

A área perto da Cumberland Street e da Lafayette Avenue, no Brooklyn, estava eletrizante, com corredores diminuindo a velocidade e dançando ‘Hot in Herre’, da rapper Nelly, enquanto avançavam ao longo do percurso. Lembrando o hiato da maratona no ano passado, o DJ disse aos corredores: “Não consigo nem dizer quanto sentimos falta de vocês. Estamos de volta, e isso é o que importa”.

Enquanto os corredores enchiam a rua na First Avenue em Manhattan, as pessoas gritavam, assobiavam, faziam barulho e uma banda ao vivo tocava ‘Ring of Fire’.

Brian Dillon ficou passeando ao longo da rota em Bay Ridge, onde viveu toda a sua vida, usando um acessório absolutamente peculiar: uma réplica em miniatura de Parachute Jump, o antigo parque de diversões de Coney Island. Seu irmão a fizera para o Desfile da Sereia do ano anterior com papelão, espetos de churrasco, potes de iogurte, garrafinhas de leite, linha de pesca e muita cola.

No Bronx, os membros do Boogie Down Bronx Runners torceram pelos 35 participantes do grupo, muitos dos quais estavam correndo sua primeira maratona. “Estamos tentando provar que não somos o condado mais insalubre do estado de Nova York”, disse Vanessa Gamarra, membro do grupo. “A comunidade do Bronx tem muito mais coisas para mostrar”.

E embora na maratona, assim como na vida, o que importe seja a jornada, e não o destino, para muitos participantes, a linha de chegada trouxe uma sensação de alívio e triunfo.

Amanda Chang, 27 anos, terminou sua primeira maratona de Nova York e sua segunda maratona de toda a vida. Ela estava bem feliz ao cruzar a linha de chegada. “A multidão é inacreditável”, disse ela. “Acho que é assim que Kim Kardashian se sente no tapete vermelho, com todo mundo vibrando”.

Josh Cassidy, que terminou em quarto lugar na divisão masculina de cadeiras de rodas, disse que a corrida foi “surpreendentemente ótima”.

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