Domingo, 30 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de agosto de 2026
O PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, terá à disposição mais R$ 31,4 milhões para investir nas eleições deste ano. A verba extra é fruto de uma manobra realizada com recursos de uma fundação da sigla, em prática questionada por técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2023 e 2024.
Mecanismo envolve devolução às contas do PL de verba que deveria ser usada pela fundação do partido, o IAV (Instituto Álvaro Valle). A Lei dos Partidos Políticos determina que cada sigla gaste pelo menos 20% dos recursos do fundo partidário na “criação e manutenção de instituto ou fundação de pesquisa e de doutrinação e educação política”.
PL recebeu R$ 208 milhões do fundo partidário em 2025. Considerando o que diz a lei, a legenda deveria ter gasto, no mínimo, R$ 41,6 milhões (20% do fundo) com o IAV. A fundação, no entanto, declarou à Justiça Eleitoral em janeiro deste ano ter devolvido R$ 31,4 milhões aos cofres do partido a título de “sobras financeiras não utilizadas”. Ou seja, o instituto devolveu mais recurso do que gastou.
Com isso, a verba extra poderá ser usada para a campanha eleitoral dos candidatos do partido em todo o país neste ano.
PL foi questionado pelo Uol e não se manifestou sobre o uso do dinheiro. O partido procurado por email e WhatsApp pela reportagem desde quinta-feira passada.
Até agosto deste ano, o PL recebeu R$ 129 milhões de fundo partidário. Para cumprir a norma, a sigla deve enviar ao menos R$ 25,8 milhões ao IAV. Até o momento, o partido mandou R$ 13,4 milhões para o instituto.
Devolução de recursos da fundação ao PL tem sido constante, incluindo em anos eleitorais. Entre 2024 —última disputa municipal— e 2026, a prática acrescentou aos cofres do partido cerca de R$ 114,6 milhões. O valor pode ser ainda maior, já que o partido declarou ter recebido R$ 34,8 milhões em 2023 com a justificativa de “outras receitas diversas – Fundo Partidário”, sem especificar de onde veio parte do dinheiro.
Os dados foram levantados pelo UOL a partir da prestação de contas de 2026 do PL. O balanço ainda é parcial, e a sigla tem parcelas do fundo partidário a receber neste ano.
Área técnica do TSE vem apontando indícios de irregularidades no mecanismo. Parecer sobre a prestação de contas de 2023 do PL, que ainda não foi julgada pela corte, apontou possível “desvio de finalidade” no uso dos recursos do instituto.
A lei autoriza a devolução de sobras não utilizadas ao partido. Gastos de anos anteriores mostram que a legenda não cumpriu seguidamente a regra mínima de 20% do fundo partidário para o IAV
Em 2025, o PL investiu R$ 5 milhões na entidade, equivalente a 2,4% do fundo recebido. Em 2024, apenas 1,7% (R$ 3,6 milhões) da verba foi usada para custear o instituto.
Especialista em direito eleitoral avalia que prática pode gerar desequilíbrio no processo eleitoral. Jamile Coelho Vieira, advogada e ex-desembargadora do TRE-AL (Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas), afirmou que a verba extra pode gerar mais recursos para a campanha do partido. Com informações do portal Uol.