Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de outubro de 2026
A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil abriu uma frente de incertezas no PL (Partido Liberal) e na direita brasileira. Aliados do senador, que viajou para Miami (EUA) depois de perder as eleições presidenciais, ainda buscam respostas sobre quem vai conduzir as articulações do grupo daqui para frente.
Há um consenso de que a fuga de Flávio dificulta as interações e negociações, inclusive com a própria bancada do PL. A perspectiva atual é de que seu papel deve se concentrar mais em dar orientações gerais do que cuidar dos meandros das articulações em Brasília.
Capital político em risco
Para parte dos aliados, trata-se de um capital político de quase 60 milhões de votos subutilizado ou até esfacelado. Correligionários de Flávio ainda esperam um sinal mais claro de como se posicionar, especialmente após a visita do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta semana.
Uma reunião da sigla prevista para a semana que vem deve servir para esclarecer os rumos do partido. Costa Neto já deixou claro que é preciso tocar o partido para frente.
Parte do PL defende o caminho da moderação, distante do teor golpista da carta atribuída a Flávio, especialmente em um momento em que o partido precisa preservar a unidade e evitar que as incertezas sobre a família Bolsonaro contaminem outras articulações políticas, como as eleições para as presidências da Câmara e do Senado.
Disputas no Centrão e ambições no Senado
Enquanto isso, partidos do Centrão já negociam a definição dos comandos e a distribuição de espaços nas duas Casas do Congresso. Uma das incógnitas é o quanto a crise vai afetar as ambições à presidência do Senado por parte de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
Marinho segue demonstrando apoio ao senador ao sustentar a tese de perseguição política, mas é um dos que desaprovam qualquer questionamento sobre a integridade das eleições.
O grupo de Flávio também precisa administrar a repercussão dos episódios envolvendo a carta de teor golpista. Na quinta-feira (29), um aliado do senador chegou a atribuir à inteligência artificial a inclusão do termo “presidente eleito” e o uso do brasão antigo do Brasil em uma das versões divulgadas da carta.
Outro fator relevante é que, segundo o jornal The New York Times, um dos principais assessores de Donald Trump na Casa Branca, Jason Miller, providenciou o jato que Flávio usou para voar até Miami, nos Estados Unidos. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.