Terça-feira, 05 de julho de 2022

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Pelo menos dez assassinatos foram registrados nas última semanas na fronteira com o Paraguai e facção brasileira é suspeita

Disputas entre facções, execuções envolvendo figuras conhecidas da sociedade, corrupção, narcotraficantes em celas de luxo, triângulo amoroso. Ingredientes que costumam permear o roteiro de filmes e séries de TV sobre gângsters estão presentes nos episódios de violência registrados na fronteira entre Brasil e Paraguai nas últimas semanas. O grande problema é que essa trama nada tem de ficção. O terror e o medo são reais e deveriam merecer atenção dos governos.

Num dos casos sob investigação, quatro pessoas foram assassinadas no dia 9 de outubro em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. Foram mortos Haylee Acevedo Yunis, de 21 anos, filha de Ronald Acevedo, governador de Amambay, no Paraguai; duas amigas de Haylee e o paraguaio Omar Vicente Álvarez, conhecido como Bebeto, tido pela polícia como alvo dos bandidos. O crime ocorreu um dia após a execução do vereador de Ponta Porã (MS) Farid Badaoui Afif quando andava de bicicleta. Ao menos dez assassinatos foram registrados nas últimas semanas. No sábado, cinco brasileiros foram presos em Pedro Juan Caballero com armamento de guerra.

Suspeita-se que por trás dos crimes na fronteira esteja uma facção brasileira que atua também no Paraguai. Investigados por autoridades dos dois países, os episódios ainda estão envoltos em mistério. Segundo as apurações, um triângulo amoroso poderia explicar parte das mortes. O traficante Faustino Aguayo Cabañas, que vivia numa cela cercado de regalias, namora Mirna Romero Lesme, ex-namorada de Bebeto, uma das vítimas. Cabañas é apontado como o mandante da chacina em Pedro Juan Caballero.

A série de assassinatos deveria acender um alerta em governos da América do Sul para o poder crescente das facções. Ascensão que não vem de hoje. Em 2016, o traficante Jorge Rafaat Toumani foi morto em Pedro Juan Caballero numa emboscada que contou com mais de cem homens e armamento exclusivo das Forças Armadas. A polícia atribuiu o crime a disputas entre facções. O poder letal dessas quadrilhas não deveria ser desprezado. Na segunda-feira, o presidente do Equador, Guillermo Lasso, decretou estado de exceção no país devido à escalada de violência provocada pelo narcotráfico. Determinou que as Forças Armadas e as polícias patrulhem as ruas 24 horas.

Está cada dia mais claro que as quadrilhas não respeitam fronteiras. Facções criminosas brasileiras atuam em vários países da América do Sul — e o Paraguai é escala importante nesse roteiro. O avanço do crime demanda estreita cooperação entre as forças de segurança dos países e agências americana e europeia, já que drogas são exportadas para EUA e Europa. Lamenta-se que somente depois da chacina em Pedro Juan Caballero tenha se criado uma força-tarefa para investigar os crimes, iniciativa que já deveria ter sido tomada há muito tempo. Sem cooperação e integração, com uso de inteligência e tecnologia, governos ficarão reféns de quadrilhas cada vez mais organizadas e bem armadas. O Equador nos mostra que o perigo é real. As informações são do jornal O Globo.

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