Terça-feira, 16 de junho de 2026

Polícia Federal aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro dava “tratamento privilegiado” ao senador Ciro Nogueira

A PF (Polícia Federal) afirmou, em representação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, dava um “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), inclusive com o custeio de viagens internacionais de luxo.

A relação de Vorcaro com o parlamentar do Piauí chamou a atenção dos investigadores, pelo pagamento de acomodações de “elevado padrão”, inclusive em hotéis de luxo no exterior.

As conclusões constam de um documento da PF enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (16). Conforme o documento da PF, o relacionamento entre os dois ia além da proximidade pessoal, sendo descrito pelos investigadores como uma “relação funcional e instrumental” voltada ao benefício mútuo.

A representação destaca que, enquanto o parlamentar do PP atuava no Senado para defender interesses do banqueiro, Vorcaro retribuía com vantagens financeiras.

Segundo os investigadores, essas vantagens incluíam: pagamento de valores mensais, classificados pela PF como uma espécie de “mesada” que, em alguns casos, atingia R$ 300 mil ou mais; aquisição de participação societária com expressivo deságio por empresa vinculada ao senador; custeio de viagens internacionais, incluindo passagens em jatos particulares, hospedagens em hotéis de luxo e despesas com eventos e restaurantes sofisticados.

Além disso, a Polícia Federal aponta que o senador Ciro Nogueira teria utilizado o seu poder parlamentar para beneficiar os interesses do Banco Master, destacando a apresentação da “Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023”, apelidada no mercado como “emenda Master”.

O texto da proposta teria sido elaborado pela própria assessoria do banco e entregue diretamente a Ciro Nogueira, inclusive com orientações de entrega do envelope no endereço residencial do senador.

O inquérito, que tramita no STF, aponta que o esquema contava com a atuação de terceiros e empresas interpostas para tentar mascarar a origem e a destinação dos recursos, dificultando a rastreabilidade financeira.

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