Quinta-feira, 25 de abril de 2024

Polícia Federal aponta servidor do INSS como responsável por ofender o ministro do Supremo Gilmar Mendes no aeroporto de Lisboa

A Polícia Federal (PF) está investigando uma agressão verbal realizada contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O responsável foi identificado como um servidor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A apuração ocorre a pedido do próprio Gilmar, por um episódio ocorrida na semana passada no aeroporto de Lisboa (Portugal). Um homem afirmou que o ministro e o STF “são uma vergonha para o Brasil e para o todo povo de bem” e que o Brasil estaria sendo “destruído” por “pessoas como” ele. O homem gravou a interação, e o vídeo foi publicado em redes sociais.

A partir do vídeo, a PF identificou que o responsável é Ramos Antonio Nassif Chagas, que atua como técnico do INSS.

Gilmar enviou uma representação criminal ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pedindo a investigação do caso e a responsabilização do autor. No texto, o ministro afirma que as ofensas foram dirigidas não só contra ele, mas também ao STF.

“Ao agir dessa forma, o imputado almejou intimidar Ministro do Tribunal, para desestabilizar o funcionamento da instituição. Não é necessário grande esforço para demonstrar que a iniciativa se encaixa em um movimento articulado e coordenado de ataques aos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, organizado por extremistas e detratores da democracia”, escreveu.

Lava-Jato

Decano do Supremo, Gilmar Mendes disse que a Operação Lava-Jato “terminou como uma verdadeira organização criminosa”. Responsável por relevar o maior escândalo de corrupção do País, início da operação completa dez anos em março. Para o ministro, a Lava-Jato produziu distorções no sistema jurídico e político, deixando um saldo “marcadamente negativo”.

“Acho que a Lava-Jato fez um mal enorme às instituições”, afirmou Mendes em entrevista à Agência Brasil. “O que a gente aprendeu? Eu diria em uma frase: não se combate o crime cometendo crimes. Na verdade, a Lava-Jato terminou como uma verdadeira organização criminosa, ela envolveu-se em uma série de abusos de autoridades, desvio de dinheiro, violação de uma série de princípios e tudo isso é de todo lamentável”, disse.

Inicialmente favorável à força-tarefa de Curitiba, o decano do STF reconsiderou sua posição ao longo dos últimos anos, tornando-se um crítico da operação na Corte. Antes disso, porém, declarou em novembro de 2015 que a investigação da Lava-Jato havia revelado “um modelo de governança corrupta, algo que merece o nome claro de cleptocracia”. Na mesma ocasião, Mendes atribuiu ao PT a crise que abalava o País naquele momento.

A Lava-Jato perdeu força a partir de 2018, quando o então juiz Sérgio Moro, que conduzia a operação, aceitou o convite de Jair Bolsonaro (PL), que acabara de se eleger presidente, para assumir o Ministério da Justiça. O movimento político do magistrado, que havia condenado o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alijando o petista das eleições daquele ano, abriu espaço para especulações sobre as suas intenções.

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