Sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Polícia Federal diz que Mario Frias integrava “núcleo político” de organização suspeita de repassar recursos federais à produtora de filme de Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) aponta o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como integrante do núcleo político de um grupo investigado por suspeita de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares para a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a representação apresentada pela corporação, o parlamentar “mantém relação próxima com diversos personagens e empresas beneficiadas pelos recursos públicos”.

A afirmação consta do pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para autorizar a operação realizada nessa quinta-feira (10). No documento, a PF sustenta que a continuidade da atuação do grupo investigado “se apresenta evidente, notadamente através do alto volume de recursos de origem pública movimentado nas contas do Instituto Conhecer Brasil de Karina Gama”. Karina Gama é sócia da Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do filme.

Ainda de acordo com a PF, após o início das fiscalizações realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), teriam ocorrido “tentativas de mascarar as evidências de fraude que foram empreendidas após o início das fiscalizações pela” CGU. As afirmações fazem parte da argumentação apresentada pela corporação para justificar a necessidade das medidas de busca e apreensão autorizadas pela Justiça.

A representação policial também descreve uma série de relações entre o direcionamento de recursos de emendas parlamentares para organizações não governamentais (ONGs) ligadas a Karina Gama e despesas que, segundo os investigadores, teriam relação com a produção do filme “Dark Horse”.

Em um dos trechos do documento, a PF cita um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), referente à movimentação da Go Up Entertainment entre outubro e novembro de 2025. De acordo com a investigação, entre as pessoas que realizaram transferências para a produtora estava Mario Frias, que teria encaminhado R$ 645,4 mil à empresa.

No mesmo período analisado pelo relatório, também foram identificados pagamentos relacionados a despesas como alimentação e hospedagem, entre outros gastos. Para a PF, a proximidade temporal entre essas movimentações financeiras e a realização das filmagens é um dos elementos que justificam a análise das transações.

A corporação destaca que o filme foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. Segundo a representação, parte das movimentações financeiras identificadas pelo Coaf ocorreu durante período próximo às gravações, o que, na avaliação dos investigadores, justificaria uma apuração mais detalhada sobre a natureza dos pagamentos realizados.

“Tais fatos chamam a atenção porque, como cediço, a Go Up Entertainment é a empresa responsável pelo filme Dark Horse. (…) O filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras”, pontuou a PF. (Com informações do jornal O Globo)

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