Terça-feira, 15 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de setembro de 2026
A Polícia Federal (PF) informou nessa segunda-feira (14) que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota divulgada à imprensa, a PF disse que as cópias entregues “são idênticas à extração realizada do aparelho”.
A PF afirmou ainda que “o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital”.
O impasse no STF
A manifestação da PF ocorre em meio a uma disputa interna entre ministros do STF pelo acesso irrestrito ao acervo digital de Vorcaro.
Nesta terça-feira (15), o plenário do tribunal tem julgamento pautado para analisar o relatório da PF que apontou mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Nos últimos dias, os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, cobrando acesso à integralidade do espelhamento do aparelho (um iPhone 17 Pro apreendido em operações policiais).
Cristiano Zanin argumentou que o colegiado precisa conhecer o contexto completo dos dados para deliberar, destacando que a própria defesa de Vorcaro já havia tido acesso ao conteúdo integral.
Alexandre de Moraes endossou o pedido de Zanin e afirmou que “não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”.
Gilmar Mendes apontou que a retenção dos dados apenas no gabinete de Mendonça compromete o equilíbrio interno e a paridade da Corte. O decano solicitou a Fachin que, caso o relator não liberasse os arquivos, a presidência requisitasse as mídias diretamente à PF com urgência.
Diante das primeiras cobranças, o ministro André Mendonça havia justificado que o material em seu poder constituía uma cópia de segurança criptografada e lacrada, funcionando como contraprova caso o original sofresse extravio, e que não havia manuseado a mídia.
Daniel Vorcaro diz à PF que conversas com servidores do BC foram institucionais
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou que tenha obtido informações privilegiadas do BC (Banco Central) e oferecido vantagens a servidores da autoridade monetária. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 28 de agosto, obtido na íntegra pelo portal Uol, Vorcaro foi questionado sobre trocas de mensagens com dois ex-servidores do BC.
O delegado federal Albert Paulo Sérvio de Moura conduziu o interrogatório, que durou mais de 3 horas. Nele, o ex-banqueiro foi diretamente confrontado por capturas de tela de mensagens que teria enviado ao ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, e ao ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves.
Em um trecho do depoimento, Vorcaro foi questionado sobre sua relação com Santana e sobre eventual transferência de valores, imóveis ou qualquer outro tipo de vantagem ao servidor.
O ex-banqueiro afirmou que teve “conversas institucionais” com ele e negou ter feito transferências diretas com vantagens econômicas ao ex-diretor do BC. Com informações dos portais G1 e Folha de S. Paulo.