Sábado, 30 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de maio de 2026
A Polícia Federal enviou para a Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer favorável à abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo episódio em que ele aparece pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O portal Valor apurou com fontes a par do caso que a medida foi tomada em um dos pedidos de investigação protocolados na Polícia Federal por políticos e advogados após o episódio ser revelado pelo site Intercept Brasil.
Como se trata de um senador da República a PF enviou a avaliação para a PGR também analisar os fatos. Nestes casos, cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a investigação. A expectativa é de que, como o episódio envolve Vorcaro, o caso fique sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, relator das ações relacionadas às investigações do Master.
Quando a PF recebe representações deste tipo, a corregedoria da corporação avalia se a representação possui elementos suficientes para se abrir uma investigação a partir de um parecer técnico feito por outras áreas da corporação. No caso dos repasses solicitados por Flávio, a PF considera haver elementos que justifiquem a apuração das suspeitas e dos personagens envolvidos. A avaliação inicial seria de que a forma da remessa de valores e os objetivos dela precisam ser apurados.
Teria chamado atenção da PF, além do alto valor enviado por Vorcaro aos EUA, de R$ 61 milhões, o fato de que parte significativa do filme foi gravado no Brasil, enquanto o dinheiro era enviado para o exterior. Uma das linhas de investigação é apurar se os recursos teriam sido destinados a financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA. O ex-deputado foi para o país no ano passado e é réu no Supremo acusado de coação no curso do processo por ter atuado para que os Estados Unidos aplicassem sanções econômicas, como o tarifaço, e contra autoridades brasileiras como forma de pressionar o Poder Judiciário a não condenar seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe.
A atuação do ex-deputado não impediu a condenação de Bolsonaro, que hoje cumpre pena em regime fechado. Na avaliação inicial da PF, caso se comprove que os recursos de Vorcaro teriam mesmo financiado Eduardo, as pessoas envolvidas podem ser enquadradas por terem colaborado com o crime de coação. Também há suspeita de evasão de divisas, que pode ser investigada caso seja aberto um inquérito policial.
Em outra frente, nessa semana o ministro Alexandre de Moraes deu cinco dias para a PGR se manifestar sobre um pedido para incluir Flávio e Jair Bolsonaro no inquérito sobre a atuação de Eduardo nos EUA. Moraes é o relator no STF da ação em que Eduardo é réu. A solicitação para ampliar o escopo das investigações foi apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) após a reportagem do Intercept Brasil. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda não se manifestou.
Procurada, a assessoria de Flávio não se manifestou e não foi possível contato com Eduardo Bolsonaro.
Quando as mensagens com pedido de dinheiro a Vorcaro vieram a público, Flávio confirmou ter feito a solicitação, mas negou haver irregularidades e assegurou que os valores foram repassados integralmente para o filme. O senador prometeu apresentar o contrato da produtora responsável pelo filme e a comprovação dos gastos. Ele e Eduardo negaram ter usado o dinheiro para custeio de despesas pessoais nos EUA. Com informações do portal Valor Econômico.