Quarta-feira, 05 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de agosto de 2026
O dólar encerrou o pregão desta quarta-feira (5) em leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,12. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em baixa de 0,09%, aos 177.726 pontos, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores diante do cenário externo e das expectativas para os próximos desdobramentos da política monetária no Brasil.
Com o resultado, a moeda norte-americana acumula alta de 1,15% na semana e no mês, mas ainda registra queda de 6,57% em 2026. O Ibovespa, por sua vez, recua 0,15% tanto na semana quanto no mês, enquanto mantém valorização de 10,30% no acumulado do ano.
Ao longo do dia, os mercados acompanharam as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que um acordo para permitir a reabertura do Estreito de Ormuz poderá ser anunciado nos próximos dias. A passagem é considerada uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo, embora o governo iraniano continue contestando as declarações do republicano.
As incertezas sobre o conflito no Oriente Médio mantiveram o mercado de petróleo volátil. O barril do Brent, referência internacional, operava próximo da estabilidade no fim da tarde, cotado a US$ 79,40, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava para US$ 75,12 o barril.
No cenário doméstico, investidores também acompanharam os desdobramentos da corrida presidencial. O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente de sua chapa. Ex-promotor de Justiça, Gaspar também foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas.
A sessão ainda foi marcada por expectativa em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, cuja decisão sobre a taxa básica de juros seria divulgada após o fechamento dos mercados. A maior parte dos analistas projetava um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
Apesar dessa expectativa, economistas avaliam que o cenário segue exigindo cautela da autoridade monetária. A combinação de inflação ainda pressionada, mercado de trabalho resiliente e incertezas no ambiente internacional, especialmente após a retomada das tensões no Oriente Médio, mantém dúvidas sobre o ritmo do ciclo de flexibilização da política monetária.
Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, mesmo diante da expectativa de redução dos juros, o Banco Central deve continuar adotando uma postura prudente. “A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e o ambiente externo muito incerto reforçam a necessidade de prudência na condução dos juros”, afirmou.
No exterior, os investidores também seguem repercutindo a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que na semana passada manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%, reforçando a percepção de que os próximos movimentos das principais autoridades monetárias continuarão sendo acompanhados de perto pelos mercados globais.