Quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Polícia Federal identifica repasse de R$ 1,4 milhão do deputado federal Mario Frias e de empresa investigada para produtora de filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal identificou transferências de R$ 645,4 mil feitas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) e de outros R$ 750 mil pela NTT Brasil à Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os repasses somam cerca de R$ 1,4 milhão.

As informações constam da decisão em que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas realizadas pela PF nesta quinta-feira (10), em investigação sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora.

Frias fez as transferências em menos de dois meses no fim de 2025, e o volume dos repasses levou a PF a questionar seu “lastro financeiro”. A PF chamou atenção para o volume dos repasses feitos por Frias e afirmou que seus rendimentos mensais, de R$ 44.008,52, colocam “em questão o lastro financeiro” para transferências de R$ 645,4 mil em um intervalo inferior a 60 dias.

Segundo a PF, também chama atenção a proximidade entre o repasse de R$ 750 mil feito pela NTT Brasil à Go Up Entertainment e os R$ 700 mil pagos pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina Ferreira da Gama, produtora de “Dark Horse”, a outras duas empresas do mesmo grupo empresarial: a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional. O ICB é uma ONG que recebeu emenda parlamentar de Mário Frias e subcontratou as duas empresas no âmbito de um termo de fomento.

As movimentações ocorreram no período em que o filme sobre Jair Bolsonaro era filmado em São Paulo: as gravações foram realizadas entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta, Mário Frias classificou como “cortina de fumaça” a operação da Polícia Federal que realizou buscas em sua residência. O parlamentar negou irregularidades, afirmou que vai colaborar com as investigações e entregar todos os documentos necessários e disse acreditar que o caso será arquivado.

A NTT Brasil é administrada pelo empresário Heric Dias e, de acordo com a investigação, está ligada a um grupo empresarial que inclui fornecedores contratados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto é presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up.

No período analisado, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões: foram R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. As operações constam de comunicação financeira analisada pela PF e foram classificadas como atípicas.

Entre os principais destinatários dos recursos movimentados pela produtora aparecem o Hotel Unique, que recebeu R$ 906,7 mil, e a Foodflix Alimentação, com R$ 653,1 mil. A PF também identificou pagamentos a empresas que atuam na área de produção.

Investigação sobre emendas

Mário Frias e outros investigados foram alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10), que apura suspeitas de desvio de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas contra mais de 50 investigados.

A apuração teve início a partir de irregularidades identificadas na execução de emendas parlamentares destinadas, entre outras entidades, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Frias destinou R$ 2 milhões ao instituto por meio de duas emendas parlamentares.

Segundo a PF, parte dos recursos foi repassada pelo ICB a empresas contratadas para a execução dos projetos. A investigação identificou vínculos entre alguns desses fornecedores, empresários ligados a eles e pessoas próximas a Frias.

A investigação passou a analisar também movimentações financeiras envolvendo a Go Up Entertainment. A PF apura uma possível conexão entre recursos relacionados ao ICB, empresas contratadas pela entidade e valores posteriormente enviados à produtora de “Dark Horse”. Com informações do portal G1.

 

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