Terça-feira, 21 de maio de 2024

Por apoio no Congresso, Lula já dá como certo enlace com o Centrão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nessa terça-feira (5) que pode trocar ministros do governo para abrir espaço para partidos do centrão que querem ingressar na Esplanada dos Ministérios. “É sempre muito difícil você chamar alguém para dizer: ‘Olha, vou precisar do ministério porque fiz acordo com um partido político e preciso atender’. Mas essa é a política.”

Lula fez a declaração durante live nas redes sociais. Segundo ele, a reforma ministerial pode ajudar o governo a construir uma maioria mais confortável no Congresso Nacional.

“O governo tem propostas importantes para passar no Congresso Nacional. Os deputados não são obrigados a votar no governo porque o governo mandou. Precisamos construir maioria. Uma maioria para dar tranquilidade ao governo nas mudanças que precisamos fazer para aprovar determinadas coisas e para não permitir que coisas que sejam indigestas sejam aprovadas”, ressaltou.

Os futuros novos ministros do governo foram definidos no início do mês. Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e André Fufuca (PP-MA) são os deputados que devem integrar o corpo ministerial, mas a falta de consenso sobre quais pastas eles vão assumir tem atrasado a conclusão da reforma ministerial.

O centrão quer controlar ministérios que tenham os maiores orçamentos, mas Lula resiste à ideia por não querer trocar a atual composição da Esplanada. O ingresso dos partidos deve provocar uma dança das cadeiras no governo. Uma das ideias em estudo é entregar o Ministério de Portos e Aeroportos a Silvio Costa Filho e remanejar o atual ministro Márcio França para a nova pasta anunciada por Lula.

Reuniões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nessa terça com os dois ministros com mais chances de serem afetados pela reforma para acomodar o Centrão na Esplanada. Em momentos diferentes, Márcio França (Portos e Aeroportos) e Ana Moser (Esporte) estiveram no Palácio do Planalto. Há expectativa de que Lula divulgue a nova configuração do governo antes de embarcar para Índia nesta quinta (7), mas exigências do PP para turbinar a pasta de Esporte estão impedindo a conclusão do processo de mudanças.

França almoçou com Lula, no começo da tarde. O vice-presidente Geraldo Alckmin, seu colega do PSB, também participou da conversa. A ideia do Planalto é nomear Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) para o Ministério de Portos e Aeroportos e oferecer a França a possibilidade de assumir a pasta de Pequena e Média Empresa, a ser criada. Ele, porém, resiste a essa hipótese. Antes do almoço com Lula, Alckmin e França se reuniram com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e com o prefeito de Recife, João Campos.

O novo ministério da Pequena e Média Empresa, que foi anunciado por Lula em sua live na semana passada, seria desmembrado da pasta da Indústria e Comércio , sob o comando de Alckmin. Caso França rejeite mesmo esse novo ministério, uma das possibilidades é ele ficar com a pasta de Alckmin. O vice, porém, ainda não sinalizou que pode deixar o seu posto. Um caminho possível também discutido seria transferir França para a pasta da Ciência e Tecnologia. Se isso acontecer, a atual titular do ministério, Luciana Santos, iria para uma outro posto na Esplanada.

Depois da reunião com França e Alckmin, Lula recebeu Ana Moser. A ministra do Esporte ficou cerca de 50 minutos com o presidente. Durante a conversa, Lula não demitiu a ministra, mas afirmou que estava muito difícil resolver a reforma e ponderou que ainda não tinha uma decisão.

A eventual saída de Ana Moser encontra forte resistência no ambiente esportivo. Nessa terça, Atletas pelo Brasil e a Comissão de Atletas do COB divulgou nota contrária a saída da ministra: “Nos sentimos envergonhados e desprestigiados, vendo que o esporte no Brasil continua sendo encarado como algo menor.”

Com a entrada de PP e Republicanos no governo, Lula espera consolidar mais 60 votos na Câmara dos Deputados.

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