Quarta-feira, 29 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de julho de 2026
Apenas quatro candidatos à Presidência da República deverão ter direito ao horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão durante o primeiro turno nas eleições deste ano. A restrição é resultado do endurecimento da cláusula de barreira, que limita o benefício aos partidos que alcançaram um desempenho mínimo nas eleições para a Câmara dos Deputados no último pleito.
A regra também aumentou o peso das alianças partidárias, já que a formação de coligações pode ampliar — ou reduzir — o tempo de propaganda dos presidenciáveis. Na prática, apenas as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) terão acesso ao horário eleitoral gratuito.
Por outro lado, pré-candidatos de partidos que não atingiram a cláusula de desempenho, como Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão — partido criado no ano passado —, disputarão a Presidência sem acesso à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
O horário eleitoral gratuito no primeiro turno será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro, de segunda-feira a sábado, em dois blocos diários no rádio e na televisão. Além dos programas em bloco, as emissoras veiculam inserções de 30 e 60 segundos distribuídas ao longo da programação, formato que tem ganhado relevância por permitir mais frequência de exposição dos candidatos.
Para o segundo turno, a regra muda. Os dois candidatos passam a ter o mesmo tempo de propaganda, independentemente do tamanho das bancadas dos partidos que compõem suas respectivas coligações.
Coligações têm potencial de mudar tempo de propaganda dos candidatos
Para o primeiro turno, outro ponto que pesa no cálculo do tempo a que cada candidato terá direito diz respeito às coligações formadas pelos partidos. Pela legislação eleitoral, 90% do horário eleitoral gratuito é dividido proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, enquanto os 10% restantes são repartidos de forma igualitária entre os candidatos aptos a participar da propaganda eleitoral.
Assim, cada novo aliado pode ampliar o espaço de um presidenciável e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo destinado aos adversários. Esse cenário tem influenciado, inclusive, as articulações para a corrida ao Palácio do Planalto entre os candidatos.
O PL, por exemplo, perdeu parte do tempo potencial de propaganda após a decisão da federação União Progressista (União Brasil-PP) de permanecer neutra na disputa presidencial e agora negocia uma aliança com outros partidos. Se atrair, por exemplo, a legenda do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para sua coligação, Flávio terá, além do tempo do PL, o do Republicanos.
Já o Novo tenta atrair o Podemos para garantir ao menos alguns segundos de exposição no rádio e na televisão para Zema. Pelo cálculo feito pela Justiça Eleitoral, o ex-governador de Minas Gerais poderá ter cerca de 30 segundos, caso consiga a composição com a outra sigla.
Pelas projeções com base nas bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados em 2022 e nas alianças consolidadas até o momento, o presidente Lula deverá ter o maior tempo de propaganda no primeiro turno, com cerca de 5 minutos e 32 segundos por bloco. Além do PT, a coligação reúne partidos como PSB, PDT, PSOL, Rede, PCdoB e PV.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, aparece em seguida, com aproximadamente 4 minutos e 20 segundos. “O fato de você ter mais espaço de comunicação em rádio e TV favorece os candidatos de partidos maiores ou que estão em coligações com partidos maiores”, afirma Roosevelt Arraes, advogado e integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep).
Esse cenário, porém, ainda pode mudar conforme as negociações avancem durante este período de realização das convenções partidárias, que se estendem até 5 de agosto. O principal alvo do PL é o Republicanos.
Se a legenda aderir à candidatura de Flávio, o tempo de propaganda do senador subiria para cerca de 5 minutos e 16 segundos, reduzindo a vantagem de Lula, que passaria a contar com aproximadamente 4 minutos e 51 segundos por bloco, em razão da redistribuição proporcional do horário eleitoral.
A disputa pelo Republicanos ganhou força após a federação União Progressista (União Brasil-PP) optar por permanecer neutra na eleição presidencial. Sem o apoio das duas legendas, o PL perdeu cerca de 20% do tempo de propaganda que poderia alcançar e passou a concentrar esforços para ampliar sua coligação.
Em um patamar menor, Caiado deverá ter cerca de 2 minutos e 11 segundos por bloco, enquanto Augusto Cury terá aproximadamente 36 segundos. Caso o Republicanos feche com o PL, o tempo destinado a Caiado também será reduzido, caindo para cerca de 1 minuto e 49 segundos.
Tempo estimado de propaganda dos presidenciáveis em 2026
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 5min32s
Flávio Bolsonaro (PL): 4min20s
Ronaldo Caiado (PSD): 2min11s
Augusto Cury (Avante): 36s
*Estimativa baseada nas bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados em 2022 e nas alianças consolidadas pelos candidatos até aqui. Com informações da Gazeta do Povo.