Quarta-feira, 29 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de abril de 2026
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) cumpriu nessa terça -feira (28) uma série de mandados de busca e apreensão nas sedes da prefeitura e de duas secretarias municipais de Mariana Pimentel (Região Metreopolitana de Porto Alegre), além de sua Procuradoria Jurídica. No foco da operação estão indícios de fraude em licitações e crime de responsabilidade.
Expedidas pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (MPRS), as ordens também miraram endereços residenciais de agentes públicos e empresários da Capital e de Gravataí, com recolhimento de computadores e documentos. Já as pastas municipais visadas são as da Saúde e da Fazenda.
A investigações são conduzidas pela promotora de Justiça Mariana de Azambuja Pires, sob a coordenação do procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, coordenador da Procuradoria da Função Penal Originária (PFPO). Participaram, ainda, da operação os promotores André Coelho, Karina Bussmann e Letícia Pacheco, com o apoio de servidores e policiais adidos do MP e do 1º Batalhão de Choque da Brigada Militar.
Estrela
No dia 24 de abril, a Polícia Federal (PF) deflagrou operação destinada a apurar crimes de corrupção e falsidade ideológica relacionados às eleições de 2024 em Estrela (Vale do Taquari). Dentre os alvos está a prefeita Carine Schwingel (União Brasil), que teve endereços incluídos no roteiro de 13 ordens de busca e apreensão expedidas pela Justiça Eleitoral.
Durante a ação foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos que serão encaminhados para análise pericial. Também foram apreendidos materiais em Cruzeiro do Sul, localizada na mesma região do Rio Grande do Sul. Outros servidores municipais também são investigados. Até agora, ninguém foi preso.
O nome escolhido para a ofensiva é sugestivo quanto à abrangência da apuração: “Ambitus Sidum” (no latim, “em torno da estrela”). A região, aliás, foi uma das mais severamente atingidas pelas enchentes de 2024, ano que teriam sido cometidos os crimes.
As supostas irregularidades entraram na mira da PF no ano passado, após denúncia anônima e compartilhamento de provas por operação anterior, denominada “Rêmora”. Nessa sexta-feira, ao informar sobre a ofensiva na página gov.br/pf, a corporação detalhou que as práticas suspeitas estão relacionadas ao período em que Carine era candidata:
“Há indícios de que uma investigada utilizava aliados para nomear eleitores em cargos de confiança no município de Cruzeiro do Sul, mediante solicitação de transferência de domicílio eleitoral e de apoio político”.
O mesmo texto complementa: “Além disso, as investigações apontaram irregularidades atribuídas à investigada, consistentes na concessão de favores ou de vantagens financeiras em troca de apoio político, em período que antecedeu as eleições de 2024”.
(Marcello Campos)