Domingo, 09 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de agosto de 2026
O vale-refeição já não é suficiente para pagar nem metade dos almoços durante todo o mês de trabalho. Levantamento da Pluxee mostra que o benefício durou, em média, apenas nove dias úteis no primeiro semestre do ano, ante dez dias em 2025 e 18 dias em 2019, refletindo a perda de poder de compra diante da alta do custo da alimentação fora de casa.
Segundo a pesquisa, o preço médio de uma refeição no Brasil chegou a R$ 44,69, enquanto o valor médio do vale-refeição concedido pelas empresas é de R$ 583,75. Considerando um mês com 22 dias úteis e um almoço por dia, seriam necessários cerca de R$ 983 para cobrir toda a despesa com alimentação — aproximadamente R$ 400 a mais do que o benefício médio atualmente pago.A defasagem também aparece na evolução dos valores. Enquanto o preço da alimentação fora do domicílio acumulou inflação de 6,22% no período analisado, o valor médio do vale-refeição avançou apenas 1,5%, reduzindo gradualmente sua capacidade de cobrir as despesas dos trabalhadores.
O levantamento ainda revela diferenças entre os estados. Em Roraima, o benefício dura apenas seis dias úteis, seguido por Maranhão, com sete dias, e Acre e Rondônia, com oito. Na outra ponta, Minas Gerais lidera o ranking, com duração média de 13 dias úteis, à frente de Rio de Janeiro e São Paulo, onde o vale cobre cerca de 12 dias.
Na avaliação da Pluxee, os dados mostram que o benefício vem perdendo efetividade à medida que o custo de comer fora cresce mais rapidamente do que os reajustes concedidos pelas empresas. Embora muitas organizações ofereçam vale-refeição como parte da remuneração, o estudo aponta que o valor médio já não acompanha o custo das refeições e pressiona o orçamento dos trabalhadores que dependem do benefício para as despesas do dia a dia.
Cashback
Grandes operadoras de vale-refeição e vale-alimentação estão oferecendo benefícios adicionais para empresas que não participem do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). Para aproveitar as vantagens oferecidas pelas gigantes do setor de tíquete, como cashback e subsídios para academias a funcionários, algumas empresas estão decidindo abandonar o programa governamental.
Essa prática, contudo, é considerada ilegal por especialistas e abre uma nova frente de batalha em um setor já em ebulição desde que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou no ano passado novas regras para o programa.
As empresas veem oportunidade de ampliar as vantagens concedidas para seus funcionários a um custo menor. Para muitas delas, pagar integralmente esses tipos de benefícios, incluindo impostos e encargos trabalhistas, seria mais custoso do que não receber os incentivos fiscais atrelados ao PAT.
O programa do governo oferece ao empregador acesso a incentivos fiscais, como a dedução de até 4% do IRPJ (Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas) para empresas enquadradas no regime de lucro real. Além disso, todas as empresas beneficiárias do PAT são isentas do recolhimento do INSS e FGTS (encargos sociais) sobre o valor do benefício.
As gigantes do setor de tíquete ganham, no entanto, estimulando a saída de empresas do PAT. Fora do programa governamental, essas emissoras de vales escapam da obrigatoriedade de cobrar no máximo 3,6% de restaurantes e supermercados por transação, o que as deixa livres para aplicar taxas mais altas. Com uma margem de lucro maior, elas podem custear os benefícios oferecidos aos empregadores e, assim, manter a hegemonia do mercado.
O teto foi estabelecido no ano passado pelo governo, que buscava reduzir os preços repassados aos trabalhadores e ampliar a concorrência no setor. O objetivo era reduzir o custo da alimentação para os trabalhadores, após a inflação dos alimentos escalar e corroer a popularidade do presidente Lula no início de 2025.
A atual gestão teme, no entanto, que o movimento de saída das empresas esvazie a política pública, cujo objetivo é assegurar a alimentação dos empregados. Além disso, o plano de baratear os preços dos alimentos fica ameaçado. (Com informações dos jornais Folha e Valor)