Segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

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Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira pressiona Petrobras por política de preços de combustíveis mais clara

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), elegeu a Petrobras como alvo preferencial de suas críticas públicas e não dá sinais de que mudará o posicionamento. Nas últimas semanas, ele aumentou a pressão para que a estatal torne mais clara a política de preços de combustíveis. Ao seu lado, o deputado tem o apoio de integrantes da própria equipe econômica do governo, que veem a necessidade de mudanças.

O tema já havia sido vocalizado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que, ao citar o impacto da alta do dólar no preço da gasolina, afirmou que a empresa transfere os custos aos consumidores com mais frequência que muitos países. Para parte dos auxiliares do ministro Paulo Guedes (Economia), haveria mais previsibilidade se esse repasse fosse feito em períodos mais longos. Há reclamações também no Congresso sobre a falta de “previsibilidade” da empresa.

“Não está clara a política da Petrobras neste momento de crise energética”, criticou Lira, em conversa com gestores de investimento.

Durante a semana passada, em meio às dificuldades para se chegar a um consenso sobre o pagamento de precatórios (dívidas da União) e a reforma administrativa, o presidente da Câmara chegou a pautar projetos que tratam do tema, mas o assunto não foi adiante.

Além da gasolina, Lira tem tratado ainda do preço do gás, com impacto especialmente nas camadas de baixa renda. O insumo também é fundamental para o acionamento de termoelétricas em momento de crise hídrica. O presidente da Câmara já declarou achar um “absurdo” a Petrobras pagar US$ 3 para importar o gás do Catar e repassar o valor a US$ 10 só para o uso do gasoduto. Ele também destaca que há usinas paradas por falta de gás natural.

Tema eleitoral

Entre os textos que entraram na pauta estão uma mudança na arrecadação de ICMS para combustível — o valor seria uniforme no País todo, sem variação entre os Estados, como hoje — e o subsídio para compra de gás pelos mais vulneráveis. Aliados dizem que a percepção da inflação e o impacto social dos preços serão importantes para a busca de votos e, consequentemente, a reeleição de parlamentares em 2022.

Ainda que se mantenha como um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro, esta não é a primeira vez que Lira direciona críticas à gestão. Durante a crise decorrente da escassez de vacinas, ele pressionou pela demissão do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Em duas ocasiões, fez discursos com referências a um “botão amarelo”, alegoria usada para indicar o perigo de um processo de impeachment. Nos bastidores, críticas a Guedes e ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, também já foram frequentes.

O presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, Edio Lopes (PL-RR) resume o sentimento que vem sendo capitalizado por Lira e está ganhando força na Câmara. Após audiência com o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, há duas semanas, parlamentares não se deram por satisfeitos e aprovaram uma série de requerimentos de informação.

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