Sábado, 20 de junho de 2026

Presidente da Câmara dos Deputados nega conflito de interesses em viagem a Lisboa bancada pelo dono do Master

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que foi o senador Ciro Nogueira (PP-PI) quem o chamou para ir “de carona” a Lisboa, no jatinho do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em junho de 2024. Os dois viajaram com o banqueiro para a capital portuguesa com o objetivo de participar de fórum jurídico promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

“Quando teve o evento de Gilmar, eu não ia. O Ciro me chamou (e falou): ‘Vamos para o evento?’ (Respondi): ‘Não comprei passagem’. Ele disse: ‘Não, pô, vamos com o Daniel de carona’”, afirmou Motta em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

1. Como o sr. conheceu o Daniel
“O Ciro me chamou. Não é que o Ciro planejou isso. Eu não ia. Então, não tem nada nisso aí, entendeu? E o Daniel não pediu nenhuma vantagem para me levar. Não teve contrapartida de nada de projeto. Zero”

2. Vorcaro e em que circunstâncias?

Eu conheci o Daniel como um banqueiro. Nós temos aqui, como presidente da Câmara, o dever de receber todos os setores da economia. Converso com outros banqueiros, empresários de outros setores, dos mais variados. Por quê? Porque existem os interesses das pautas. Não vejo crime nisso. E o Daniel é um cara que tinha relação com todo mundo aqui em Brasília. Tem relação com todos os Poderes. E também não vejo o crime de ele ter relação com ninguém. O segundo ponto é que nós não tínhamos conhecimento daquilo que era feito, até porque eu não sei. Você chega aqui, você é empresário, eu não sei o que você faz na sua empresa. Como também não podia atestar que o que Daniel fazia era certo ou errado.

3. O sr. se lembra quando?

Não lembro.

4. Mas já como presidente da Câmara ou isso foi anterior à sua eleição?

Anterior. E, quando teve o evento do Gilmar em Lisboa, eu não ia. O Ciro (Nogueira) me chamou (e falou): ‘Hugo, vamos para o evento?’ (Eu respondi:) ‘Ciro, não comprei passagem, tal, tal, e eu tenho que voltar’, porque era a época da festa junina lá nossa. Ele disse: ‘Não, pô, vamos com o Daniel de carona’. Conhecia o Daniel, fomos de carona. Chegou lá, o Daniel tinha reservado o hotel. Também não vejo problema nisso, é um evento corporativo. Se você falar com qualquer pessoa, é normal você convidar uma pessoa, botar no hotel.

5. Foi o senador Ciro que o chamou, então?

Foi, o Ciro me chamou. Não é que o Ciro planejou isso. Eu não ia. Tanto é que eu voltei no mesmo dia da abertura do evento. Então, não tem nada nisso aí, entendeu? E o Daniel não pediu nenhuma vantagem para me levar. Não teve contrapartida de nada de projeto. Zero.

6. O sr. apresentou, quando deputado, emenda para a questão de instituições financeiras e seguradoras aplicarem 1% de recursos em crédito de carbono, proposta que beneficiaria negócios da família Vorcaro. Não há conflito de interesses entre essas viagens e a apresentação de emendas?

Primeiro, não tem contemporaneidade. Segundo, legislar não é crime. Era garantir um pouco de investimento no mercado de sustentabilidade e crédito de carbonos. Não atendi a um interesse específico de uma empresa. Fui apenas o autor da emenda, e agora há um esforço para que se vincule uma emenda minha a um possível interesse do Daniel. O Daniel nunca tratou desse assunto comigo. (As informações são de O Estado de S. Paulo)

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