Domingo, 19 de maio de 2024

Presidente do Banco Central diz que o Brasil tem chance de ser “a grande estrela” no rearranjo mundial

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que o Brasil tem chances de ser “a grande estrela” do processo de “rearrumação dos blocos mundiais” em um momento em que está “entrando um caminhão de dinheiro no México”.

“Essa rearrumação dos blocos mundiais deveria favorecer muito o Brasil. Você pensar que está entrando um caminhão de dinheiro no México, tudo bem que fica do lado dos Estados Unidos, mas qual é o país hoje nesse bloco que tem capacidade de produzir energia, coisas em larga escala, com grande população, grande mercado de trabalho, grande mercado consumidor, com energia renovável? Não tem”, ressaltou em evento promovido pela Endeavor em São Paulo.

“Acho que o Brasil tem grandes chances de ser a grande estrela. A gente tem que olhar um pouco mais para a parte do meio ambiente, eu acho que isso melhorou”, complementou.

Otimismo

Campos se disse otimista com o futuro da economia brasileira e frisou que o país foi um dos únicos a fazer reformas durante a pandemia de covid-19. “O Brasil foi um dos poucos países que segue uma agenda de reformas, independentemente do governo e até na pandemia. Qual foi o país que fez reforma na pandemia? Peguei um banco de dados de 40 e não achei nenhum”, afirmou.

“As pessoas estão começando a entender que o Brasil é um lugar que deveria ter mais investimentos. Quem se beneficiou de verdade desse movimento de fragmentação até agora, o que a gente chama de ‘green field’, foi Vietnã e México, o Brasil deveria ser um grande candidato. Nesse sentido estou otimista”, acrescentou.

Segundo ele, há uma “parte institucional” que se fortaleceu “aos trancos e barrancos”. “Não compartilho do pessimismo, temos que encontrar uma forma de crescer mais com privado e menos com público, encontrar um fiscal que tenha um equilíbrio e credibilidade”, concluiu.

Bons indicadores

Ao falar sobre o mercado de crédito no Brasil, Campos Neto ressaltou que diminuir o volume de crédito direcionado e, ao mesmo tempo, aumentar o volume de financiamentos pelo mercado de capitais seria um bom indicador de melhoria.

De modo geral, segundo banqueiro central, o volume de crédito no Brasil é ainda relativamente baixo porque o custo de recuperação de crédito no País é muito custoso. Esse processo se dá por vias judiciais e não extrajudicial, o que torna as ações demoradas e caras demais.

“A recuperação de crédito no Brasil é muito baixa, é de R$ 0,18 por R$ 1,00. Pior que o Brasil, se não me engano, só Venezuela, Haiti, Burundi e Zimbábue. África”, disse destacando que por isso a importância de se fazer micros reformas para que pequenos valores de recuperação de crédito possam ser feitos extrajudicialmente.

De acordo com o presidente do BC, quando o crédito a ser recuperado é baixo o credor não esboça o menor esforço para recuperá-lo. Isso ocorre porque invariavelmente o custo de recuperá-lo acaba sendo maior que o valor inadimplido.

Por isso, com a minirreforma que está sendo feita, de acordo com o banqueiro central, serão ampliados muito os modelos de negócios.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Saiba quais países não têm banco central como o presidente eleito da Argentina propõe
Entenda a polêmica instalada entre o Supremo e o Senado após aprovação de proposta que limita decisões dos ministros
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play