Segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de agosto de 2026
O Irã “não pode continuar em guerra para sempre”, afirmou o presidente Masoud Pezeshkian, em meio a sinais de divergências crescentes na liderança iraniana sobre as negociações com os Estados Unidos.
Durante dois eventos em Teerã nesse domingo (23), Pezeshkian defendeu o memorando de entendimento que o Irã firmou com os Estados Unidos em junho, apesar das supostas ressalvas do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
“O objetivo do inimigo era o colapso do Irã, mas isso não aconteceu. Ele bloqueia estradas e negocia com governos muçulmanos para impedi-los de firmar acordos com o Irã, visando forçar nossa rendição, mas jamais nos renderemos”, declarou Pezeshkian.
O chefe de Estado também defendeu o recente memorando de entendimento com Washington, afirmando que o documento não contém cláusulas que impliquem capitulação ou exijam concessões por parte de Teera. O político ainda reiterou a necessidade de superar o que descreveu como uma situação de “nem guerra nem paz”.
Pezeshkian explicou que as autoridades iranianas estão discutindo formas de superar esse impasse e chegar a um entendimento que preserve os princípios e valores do país. Além disso, o presidente afirmou que o conflito não oferece uma solução, enquanto a incerteza prolongada sobre uma possível retomada das hostilidades afeta negativamente a economia.
“Ao implementar esse memorando, podemos resolver os problemas com lógica e dignidade”, disse ele, em declarações divulgadas pela agência de notícias estatal IRNA.
O presidente iraniano tem alertado frequentemente para as consequências econômicas e sociais do conflito com os Estados Unidos, o que, por vezes, o coloca em desacordo com figuras da liderança que defendem uma linha mais dura.
“Devemos estar ao lado do povo. Se não pudermos servi-lo e convencê-lo de que todos pertencemos à mesma terra e ao mesmo país, então, mesmo que detenhamos o maior poder militar, seremos derrotados”, disse ele neste domingo.
Ele também afirmou que o governo estava se empenhando ao máximo para “conduzir a inflação, os problemas públicos, o sustento, os empregos, o futuro e a vida da população rumo à dignidade e ao orgulho”.
Em uma de suas aparições, Pezeshkian esteve acompanhado pelo aiatolá Seyyed Hassan Khomeini, neto de Ruhollah Khomeini, o fundador da República Islâmica.
“Às vezes, um compromisso sensato pode alcançar mais do que centenas de guerras”, disse Khomeini.
Analistas observam um debate crescente na liderança sobre como lidar com o conflito com os Estados Unidos: alguns sugerem que o Irã deveria negociar a partir de uma posição de força antes que a crise econômica se agrave ainda mais, enquanto setores de linha-dura do aparato de segurança continuam a rejeitar o diálogo. (As informações são da CNN Brasil)