Segunda-feira, 06 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de julho de 2026
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vê como prioridade uma resposta institucional à operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA). Ele anunciou que colocou a Advocacia-Geral do Senado à disposição para auxiliar na defesa do parlamentar. De acordo com aliados do presidente do Senado, o gesto se deu por conta de medidas que afetam a conta-salário de Wagner e verbas ligadas ao mandato.
Wagner, que era líder do governo no Senado e que saiu do cargo após a operação da PF, foi alvo de mandados de busca e apreensão em investigação sobre suspeitas de que teria recebido “’vantagens indevidas” para favorecer os interesses do Banco Master. Interlocutores de Alcolumbre dizem que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a operação inclui bloqueio de contas de Wagner, afetando a conta-salário de senador e verbas para o exercício da atividade parlamentar.
O presidente do Senado tem citado essas medidas como uma justificativa para dar atenção especial a esse caso e não ter feito o mesmo gesto, por exemplo, quando o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), também foi alvo de operação da PF relacionada às investigações do caso Master.
Outro argumento citado pelo presidente do Senado é que Ciro Nogueira não pediu o auxílio da Advocacia-Geral do Senado.
Alcolumbre tem procurado dar uma resposta ao avanço das investigações que miram parlamentares e outras autoridades.
Ao anunciar na terça-feira que o Senado irá oferecer estrutura para auxiliar Wagner, Alcolumbre aproveitou o discurso para reclamar que o STF tem limitado a atuação dos senadores e disse que esse é um assunto que precisa ser tratado institucionalmente pela Casa, em sinal de atrito entre os Poderes Legislativo e Judiciário.
– Na minha condição de presidente do Senado, eu necessito, institucionalmente, defender todas as prerrogativas dos senadores e das senadoras. E disse ao senador Jaques Wagner, que teve, nas decisões judiciais, parte da sua atuação parlamentar desestabilizada. Por quê? Algumas decisões que foram tomadas pelo Judiciário estão diminuindo a condição do mandato de senador – declarou.
Davi Alcolumbre não foi alvo de operações da Polícia Federal relacionadas ao caso, mas em meio ao cerco contra o Banco Master, que foi liquidado e teve seu dono preso, o presidente do Senado tem um aliado na mira no Amapá por levar o fundo de pensão do estado a alocar R$ 400 milhões em papéis da instituição.
Os aportes da Amapá Previdência (Amprev), que ocorreram em julho de 2024, foram conduzidos por seu presidente, Jocildo Silva Lemos, que afirma ter assumido o cargo a “convite” de Alcolumbre. O senador tem negado qualquer envolvimento com o escândalo financeiro. Com informações do portal O Globo.