Domingo, 02 de agosto de 2026

Presidente dos Estados Unidos diz que suspenderá novos ataques ao Irã em busca de um acordo “rápido”

O presidente Donald Trump disse no final do sábado (1º) que os EUA suspenderam novos ataques ao Irã em busca de um acordo rápido para interromper as ambições nucleares de Teerã e reabrir o estreito de Hormuz.

O Irã e outros países do Oriente Médio pediram pausa nas ofensivas para concluir o acordo que levaria à reabertura “imediata, completa e total” do estreito vital e “um fim da ameaça nuclear iraniana”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. Ele não nomeou os países na publicação, que veio após uma ligação com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, aliado dos EUA.

“Com base neste pedido, concordei, para o benefício futuro do mundo e, igualmente, para a sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, condicionado à possibilidade de fazer rapidamente um acordo”, escreveu Trump.

Israel “se junta a mim neste compromisso”, disse ele. Eli Cohen, ministro da Energia de Israel e membro do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por sua vez, afirmou que existe uma estreita coordenação de segurança e inteligência entre Israel e os EUA sobre tudo o que acontece na região.

Mas acrescentou: “Com ou sem acordo, e independentemente de quaisquer compromissos externos, se o Irã tentar retomar seu programa nuclear ou avançar em sua indústria de mísseis balísticos, estaremos lá. Agiremos e atacaremos”.

Em sua ligação com Trump, o príncipe herdeiro saudita enfatizou a “necessidade de priorizar o diálogo para reduzir as tensões” no Oriente Médio, segundo a agência de notícias estatal da Arábia Saudita.

O aparente recuo de Trump, após dias de ameaças de novos ataques de ambos os lados, marca a mais recente reviravolta na guerra que os EUA e Israel iniciaram há cinco meses. Os ataques se espalharam pelo Golfo até o mar Vermelho e até mesmo uma instalação no Mediterrâneo, no Egito.

O Irã fechou em grande parte o estreito de Hormuz, um corredor por onde passavam 20% do petróleo e gás natural mundial antes da guerra, fazendo os preços de energia subirem e alimentando uma inflação mais ampla.

A agência de notícias semioficial iraniana Mehr informou neste domingo (2) que autoridades militares iranianas, que não foram identificadas, descartaram a alegação de Trump de que Teerã havia buscado interromper os ataques, dizendo que se trata de “uma nova mentira” destinada a pressionar os Estados árabes do Golfo.

Teerã havia alertado anteriormente os EUA contra qualquer “ação aventureira” e disse que retaliaria de forma decisiva a quaisquer novos ataques contra alvos iranianos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse a altos funcionários turcos e paquistaneses em ligações telefônicas no sábado que Teerã responderia de forma decisiva a qualquer “agressão” e discutiu as consequências de “ações desestabilizadoras” dos EUA, bem como as perspectivas de aumento da insegurança regional, segundo publicou ele na plataforma de mensagens Telegram.

Horas antes, o exército do Kuwait disse ter destruído drones hostis lançados pelo Irã contra várias instalações vitais. Araghchi disse que informou ao ministro das Relações Exteriores saudita, príncipe Faisal bin Farhan, que quaisquer ataques dos EUA e Israel ou participação de países regionais em tais ações seriam recebidos com “resposta proporcional”.

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