Quarta-feira, 29 de junho de 2022

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Produção industrial dá sinais de desaquecimento no Rio Grande do Sul, aponta Fiergs

A Sondagem Industrial do RS em outubro, divulgada nessa segunda-feira (29) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), mostra preocupação entre os empresários gaúchos com sinais de desaquecimento na economia, por conta do ritmo menor de crescimento da produção e do emprego, além de acúmulo nos estoques.

“Em um contexto menos favorável influenciado por fatores como a alta da inflação e dos juros, e com a indústria ainda afetada pela falta e aumento nos preços dos insumos, as perspectivas mudaram um pouco e os empreendedores gaúchos reavaliam suas expectativas para os próximos meses”, afirma o presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry.

O índice da produção recuou de 53,8, em setembro, para 51,7 pontos, em outubro. Acima de 50, continua a mostrar avanço da produção, mas a redução superior a dois pontos indica que ele foi menor e menos disseminado do que em setembro.

Embora tenha sido a sexta alta consecutiva na produção, a sua intensidade esteve abaixo da esperada para o mês, com base na média nos anos anteriores (53,8 pontos). O emprego também caiu fortemente, de 53 para 50,9 entre setembro e outubro. Ao manter-se superior aos 50 pontos, registrou 16 meses consecutivos de alta, mas a mais fraca desse período.

A utilização da capacidade instalada (UCI) ficou em 76%, um ponto percentual maior do que setembro e 3,2 pontos percentuais acima da média de outubro dos anos anteriores. Na avaliação dos empresários gaúchos, porém, a UCI ficou praticamente no nível usual do mês, conforme o índice de UCI em relação ao usual – 50,5 pontos -, muito próximo da linha divisória dos 50.

Outro problema revelado pela Sondagem Industrial é no acúmulo de estoques de produtos finais, em crescimento ante setembro (índice de evolução de 50,7 pontos). O resultado representa níveis além dos desejados pelas empresas, com índice em relação ao planejado de 51,2 pontos. Acima dos 50, indicam respectivamente, crescimento em relação ao mês anterior e acima do planejado pelas empresas. Estoques excessivos revelam que a demanda não foi a esperada e podem afetar a produção nos próximos meses.

Expectativas

Apesar de os índices de expectativas permaneceram acima dos 50 pontos na pesquisa realizada entre 3 e 12 de novembro, todos caíram em relação a outubro. Isso mostra projeções menos otimistas para a demanda (de 59,8 para 55,9 pontos) e para as exportações (de 56,2 para 52,3 pontos), refletindo nas projeções de emprego, de 56,1 para 53,7 pontos, e de compras de insumos e matérias-primas, de 58,4 para 55,2.

Mesmo com menor otimismo, a indústria gaúcha vê, em novembro, uma disposição maior em investir. Após três meses seguidos de queda, a intenção de investimentos voltou a subir, atingindo 59,1 pontos, 1,3 acima de outubro e 8,7 acima da média histórica. No penúltimo mês do ano, 65,2% dos empresários demostram essa disposição nos próximos seis meses.

A pesquisa foi realizada com 224 empresas, sendo 43 pequenas, 74 médias e 107 grandes.

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