Domingo, 31 de maio de 2026

PT vai propor reforma no Poder Judiciário diante do diagnóstico de que há uma “confusão institucional”

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) afirmou que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tratar de uma reforma no Judiciário diante do diagnóstico de que há uma “confusão institucional”. — Barraram o (Jorge) Messias (ao STF) para utilizar isso como parte de uma querela entre Legislativo e Executivo. Tem coisas que estão disfuncionais. O Brasil precisa de uma reforma do sistema político-judicial. A campanha do presidente Lula tratará disso — afirmou Boulos.

Com assento no Palácio do Planalto, o ministro criticou o volume de emendas parlamentares, ponto de atrito com o Congresso, e afirmou que a necessidade de reorganização nas relações entre os Poderes decorre de falhas da gestão anterior, de Jair Bolsonaro. — Temos que discutir nesse momento os termos (da reforma). Judiciário não tem que legislar, tem que julgar. Estamos em uma relação de confusão institucional no Brasil, de anomia. Tem que botar cada um no seu quadrado — completou.

Boulos afirmou ainda que as queixas do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a sua postura são resultado da estratégia “bateu, levou” que adota. O titular da Secretaria-Geral também classificou como “lamentável” a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula.

Confira trechos da entrevista:

O governo tem anunciado uma medida a cada três dias a menos de cinco meses da eleição. O objetivo é alavancar a popularidade do presidente Lula?

As pessoas têm uma ideia de que o governo não pode fazer nada em ano eleitoral. Não dá para ser assim. O país não para. O governo tomou uma série de outras medidas antes. O Pé de Meia e zerar Imposto de Renda (para quem recebe até R$ 5 mil) não foram em anos eleitorais. Nós temos um problema que vai se agravando, por exemplo, em relação ao endividamento. O diagnóstico é que a primeira versão do Desenrola não foi suficiente para resolver. Era necessário que se lançasse (uma nova versão). Isso vai aliviar, para além de qualquer impacto eleitoral, milhões de brasileiros e brasileiras que não conseguem fechar as contas no fim do mês.

Essas medidas, inclusive com o subsídio dos combustíveis, têm um impacto fiscal e podem afetar as contas públicas no ano que vem. Como lidam com isso?

O resultado fiscal desse governo é infinitamente superior ao do anterior, quando tinha um fiscalista da escola de Chicago no Ministério da Fazenda (Paulo Guedes).

A regra de transição para o fim da escala 6×1, com a diminuição de duas horas na jornada um mês após a promulgação da lei, foi criticada por setores empresariais e considerada curta justamente para ter efeito a tempo da eleição…

A PEC do fim da escala 6×1 foi protocolada no fim de 2024. O Congresso fez com que só tramitasse agora. Você não pode atribuir isso a uma iniciativa do governo do presidente Lula. Ela poderia ter sido aprovada no ano passado. Acho muito curioso o tema da transição. Na hora de aprovar penduricalho, passa a valer no dia seguinte. Por que na hora de garantir um direito para os trabalhadores há uma comoção por grande transição?

O saldo entre aprovação e reprovação ainda é negativo para o governo, segundo as pesquisas. Por que isso acontece?

Com a extrema-direita e a disputa ideológica de valores culturais nas redes sociais, a percepção política ficou cada vez mais parecida com a torcida de futebol. O Lula pode ter melhorado a vida do cara que se identifica como bolsonarista, mas você não vai vê-lo dizendo que o governo está bom. A avaliação passou a estar muito relacionada ao nível de arraigamento da disputa ideológica e dos posicionamentos. Há um público cada vez menor em disputa. Com informações do portal O Globo.

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