Quinta-feira, 06 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de agosto de 2026
A Polícia Federal (PF) identificou uma transferência feita pela empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. O valor do repasse não foi divulgado pela investigação.
Apontada como lobista, Roberta Luchsinger é amiga pessoal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. A movimentação financeira foi identificada pela PF durante a análise de dados do celular da empresária, no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em nota, Marcola confirmou ter recebido uma transferência de Roberta, mas afirmou que o valor corresponde a um “empréstimo pessoal”, que, segundo ele, foi “contraído e quitado”. O ex-chefe de gabinete de Lula negou qualquer relação entre a operação financeira e sua atuação no governo.
“Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou.
O empréstimo também é mencionado no terceiro inquérito solicitado pela Polícia Federal para apurar possíveis ligações de Lulinha com o governo federal. A investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Integrantes da equipe do presidente Lula afirmam confiar na versão apresentada por Marcola, mas avaliam que foi um “erro” a realização de um empréstimo com uma lobista que possui interesses relacionados ao governo. Aliados defendem que o ex-assessor apresente todos os documentos que comprovem a contratação e a quitação do valor, a fim de esclarecer os fatos e afastar questionamentos.
Campanha
Diante da repercussão do caso, Marcola pediu para deixar a equipe responsável pela campanha de Lula à reeleição. Ele estava sob pressão após virem a público informações sobre pagamentos de despesas pessoais feitas por Roberta Luchsinger.
Ainda não houve anúncio oficial da campanha, mas o pedido de saída foi confirmado pela Folha. Até a noite de terça-feira (4), aliados do presidente avaliavam que Marcola permaneceria na equipe, a menos que optasse por se afastar.
A mudança de função, deixando o cargo de confiança no governo para atuar na campanha, teria ocorrido justamente em razão do potencial desgaste provocado pelas transações financeiras, segundo pessoas próximas ao presidente. A intenção era que ele tivesse uma participação discreta na equipe responsável pela coordenação da campanha.
Marcola afirmou ter recebido R$ 249 mil de Roberta Luchsinger e declarou que a operação teve caráter exclusivamente particular. Em nota divulgada à imprensa, disse que seus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça e informou ter constituído advogado para acompanhar o caso.
Aliados de Lula relatam que Marcola estava abatido desde que as informações vieram a público. Segundo relatos, ele teria comunicado ao presidente e a integrantes da campanha sobre as operações com Roberta por volta do período em que deixou a chefia de gabinete, há cerca de duas semanas.
As transações entre Marcola e Roberta começaram a ser divulgadas na segunda-feira (3), após reportagem do site Poder360. Posteriormente, surgiram informações de que a empresária teria pago boletos e despesas do ex-assessor de Lula.
De acordo com pessoas com conhecimento das investigações, os pagamentos teriam ocorrido entre quatro e seis meses de 2024. (Com informações do portal de notícias g1 e da Folha de S.Paulo)