Terça-feira, 07 de dezembro de 2021

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Quatro secretários do Ministério da Economia pedem demissão em meio a crise do teto de gastos

A derrota da equipe econômica para a ala política do governo na mudança do teto de gastos para abrir espaço no Orçamento de 2022 para um auxílio de R$ 400 culminou com a demissão em massa dos principais técnicos que assessoravam o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O Ministério da Economia informou nesta quinta-feira (21), os pedidos de exoneração do secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e sua adjunta, Gildenora Dantas. Também pediram para deixar o cargo o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e seu adjunto, Rafael Araujo.

Conforme informações do jornal O Estado de S. Paulo, a insatisfação da equipe econômica era crescente diante das manobras da ala política do governo para burlar o teto de gastos e conseguir entregar um programa social de R$ 400 exigidos pelo presidente Jair Bolsonaro no ano em que buscará a reeleição. De acordo com fontes, Funchal já teria dito a interlocutores que se recusaria a assinar qualquer medida que contrariasse as regras fiscais.

De acordo com a nota da Economia, o motivo dos pedidos de exoneração é de “ordem pessoal”. “Funchal e Bittencourt agradecem ao ministro pela oportunidade de terem contribuído para avanços institucionais importantes e para o processo de consolidação fiscal do País”, acrescentou a pasta. “Os pedidos foram feitos de modo a permitir que haja um processo de transição e de continuidade de todos os compromissos”, completou o ministério.

A decisão ocorre no mesmo dia em que o governo definiu um acordo para rever a regra do teto de gastos e fazer uma manobra para abrir espaço no Orçamento para o programa Auxílio Brasil de R$ 400, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. São as primeiras baixas no alto escalão da equipe econômica após a decisão do governo.

Impopularidade

A ala política do governo Jair Bolsonaro, controlada pelo Centrão, tentou minimizar o pedido de demissão de quatro secretários do Ministério da Economia em reação a decisão do governo de furar o teto constitucional para bancar o Auxílio Brasil, que irá substituir o Bolsa Família.

Dois ministros disseram que Paulo Guedes não sairá do cargo e que “a reação de funcionários do terceiro e quarto escalões da economia não ocorreria se o presidente Jair Bolsonaro estivesse eleitoralmente forte”.

No diagnóstico desses ministros da área política, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, arrumou um pretexto para deixar o governo no momento em que o mercado financeiro fala abertamente a favor de um candidato de terceira via nas eleições de 2022.

A articulação política do governo é comandada pelo Centrão, grupo político que nunca foi antimercado. A avaliação, contudo, é que é preciso ganhar a eleição de 2022, ainda que a retomada da política liberal seja urgente. E, para isso, como tem definido Paulo Guedes, é preciso colocar “dinheiro na veia do povo”.

O governo quer pagar R$ 400 de Auxílio Brasil até o ano final do eleitoral. Guedes incorporou esse discurso, razão pela qual deve permanecer no cargo segundo seus colegas de governo.

Para o Palácio do Planalto, o mercado ataca Bolsonaro para tentar acabar com a polarização entre o presidente e o petista Luiz Inácio Lula da Silva. A ausência da dualidade abriria espaço para um nome da terceira via se viabilizar e vencer a disputa.

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