Quinta-feira, 18 de junho de 2026

Registro de doenças crônicas diminuiu após a pandemia de Covid-19

Uma nova pesquisa analisa como a pandemia de Covid-19 alterou o registro de doenças crônicas nos dados do Medicare — o sistema de saúde para idosos nos EUA — e como isso afetou precisões científicas e políticas de saúde.

O estudo, divulgado pela revista científica JAMA Internal Medicine, observou que o registro de casos de infarto e derrame, assim como de outras condições crônicas, diminuiu durante a pandemia.

A pesquisa sugere que essa queda não ocorreu necessariamente porque as pessoas ficaram mais saudáveis, mas sim devido a mudanças no comportamento de busca por cuidados médicos. Muitos idosos evitaram hospitais por medo de contrair Covid-19 ou tiveram consultas e exames cancelados por diretrizes institucionais, o que resultou em um subdiagnóstico ou falta de registro dessas condições nos prontuários.

Além disso, o estudo descobriu que a associação entre essas doenças e o risco de morte mudou após a pandemia. O infarto agudo do miocárdio, por exemplo, passou a ter uma associação menor com a mortalidade geral em 2022 em comparação a 2019.

Isso pode ocorrer por um “viés de sobrevivência”, onde os pacientes mais doentes podem ter falecido devido à Covid-19, restando uma população com condições menos graves registradas.

A conclusão principal é que pesquisas que utilizam dados de antes e depois de 2020 podem estar sujeitas a erros graves. Como a forma de registrar as doenças mudou, comparar as taxas de mortalidade ajustadas por risco entre esses dois períodos pode levar a conclusões imprecisas.

O estudo alerta que formuladores de políticas e pesquisadores devem usar cautela ao interpretar tendências de saúde que cruzam o período da pandemia.

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