Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de agosto de 2026
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, disse nesta segunda-feira ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que 17 dos 27 diretórios estaduais do partido decidiram pela neutralidade na disputa presidencial.
A posição do partido nos estados indica que é inviável uma aliança nacional com Flávio. O dado foi transmitido por Pereira em reunião em Brasília que contou também com a participação do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Flávio ainda deve ter uma nova reunião com Marcos Pereira para insistir na tentativa de aliança. A convenção nacional do Republicanos está marcada para a manhã desta terça-feira e integrantes da cúpula da legenda dizem que é improvável que a sigla recue da decisão de adotar neutralidade.
Flávio tem a intenção de ter a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) como candidata a vice-presidente, mas a dificuldade para fechar aliança com o partido dela é um entrave.
O Republicanos chegou a avaliar uma aliança com Flávio no início do ano, mas uma série de atritos afastou o partido do presidenciável, como disputas entre Republicanos e o PL nos estados, caso do Rio de Janeiro.
O partido cortejado por Flávio abriga também nomes próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Republicanos de Pernambuco já anunciou que apoia a reeleição do petista. Lá o partido é comandado pelo deputado Silvio Costa Filho, ex-ministro de Portos e Aeroportos.
Na Paraíba há também uma aproximação com Lula. Há uma expectativa dentro do PT e do governo federal que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declare apoio à reeleição do presidente. Motta ainda não anunciou sua posição, mas o pai dele, o candidato do Republicanos ao Senado, Nabor Wanderley, declarou apoio ao petista.
A crise envolvendo o banco Master também consolidou um afastamento. O partido fez uma pesquisa interna que demonstrou que isso afetou negativamente a candidatura.
O site Intercept revelou em maio que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Master, para financiar um filme homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro
Na semana passada, Flávio chegou a convidar a senadora Tereza Cristina (PP-MS), mas o partido dela anunciou que vai adotar neutralidade.
Por outro lado, o Republicanos de São Paulo indicou apoio a Flávio. O candidato do PL a presidente chegou a participar no sábado, junto com Marcos Pereira, da convenção estadual do partido em São Paulo que confirmou a candidatura de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Outros estados no Sul e Centro-Oeste também são a favor da aliança com o presidenciável, mas não conseguiram representar maioria.
Caso Flávio não tenha sucesso em atrair um partido aliado, o PL estuda algumas opções dentro da própria legenda para vice, como as deputadas Júlia Zanatta (SC) e Priscila Costa (CE). As duas já chegaram a sinalizar abertura para se candidatarem ao cargo.
Apesar disso, Flávio e integrantes do PL desejam insistir em atrair outros partidos e se recusam a definir antecipadamente que a candidata a vice vai ser do PL. A estratégia é usar todo o tempo disponível para tentar aliança com outro partido.
(Com O Globo)