Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de agosto de 2026
O patrimônio declarado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) à Justiça Eleitoral saltou de cerca de R$ 3,3 milhões em 2018 para R$ 24 milhões nas eleições deste ano, um crescimento de aproximadamente 630% em oito anos. A evolução patrimonial ocorre no momento em que o parlamentar é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de que ele tenha recebido vantagens indevidas de empresários ligados ao Banco Master. Wagner nega irregularidades e afirma que provará sua inocência.
A declaração de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra um patrimônio de aproximadamente R$ 24 milhões, cerca de R$ 21 milhões acima do informado na última eleição em que concorreu ao Senado. O político baiano deve disputar uma vaga ao Senado novamente no pleito de outubro. O senador foi procurado por meio de sua assessoria de imprensa, mas não havia respondido até a publicação desta reportagem.
O aumento patrimonial, por si só, não indica qualquer irregularidade. Entre os bens declarados pelo senador estão um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 10 milhões, um terreno na capital baiana estimado em aproximadamente R$ 15 milhões, além de aplicações financeiras, participação em empresa, veículos e recursos mantidos em contas bancárias. O conjunto dos ativos soma cerca de R$ 24,5 milhões, segundo a prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral.
Desde junho, Wagner é investigado em um dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Master e empresários ligados à instituição financeira. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador tenha recebido uma série de vantagens indevidas em troca de atuação política favorável aos interesses do grupo investigado.
Entre os benefícios apontados pelos investigadores estão a suposta aquisição de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, voos em aeronaves privadas, ingressos para um show da cantora Taylor Swift e repasses de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar. A PF também afirma que há indícios de que Wagner mantinha investimentos em certificados de depósito bancário (CDBs) do Banco Master.
Na semana passada, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de parte da investigação. Os documentos tornados públicos detalham mensagens, planilhas, registros financeiros e conversas utilizadas pela PF para sustentar a hipótese de que empresários ligados ao Master concederam benefícios ao senador e a pessoas próximas a ele.
Wagner nega todas as acusações. Após ser alvo da operação da PF, em junho, o senador afirmou que mantém relação de amizade com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, mas rejeitou qualquer contrapartida em favor do banco. Também classificou como “espetacularização” a atuação da Polícia Federal e disse estar tranquilo quanto ao resultado da investigação.
A operação levou Wagner a deixar a liderança do governo no Senado, cargo que ocupava desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. À época, o senador afirmou que tomou a decisão para evitar desgastes ao governo e concentrar esforços em sua defesa.
(Com O Globo)