Terça-feira, 05 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de maio de 2026
O Rio Grande do Sul avançou na agenda climática ao alcançar a nota “B” na avaliação do Carbon Disclosure Project (CDP, sigla em inglês para “Projeto de Divulgação de Carbono”), considerada uma das principais plataformas internacionais de monitoramento da gestão climática. Para o governo do Estado, trata-se de um salto expressivo em relação a 2023, quando a nota foi “D”, e indicativo da transição para um nível estruturado com políticas, metas e ações efetivas.
A coordenação das ações é realizada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), por meio da Assessoria do Clima. Esta atua na consolidação de dados, elaboração de inventários, definição de metas e ampliação da transparência das informações climáticas.
Correspondente ao nível de “Gestão”, o conceito “B” atesta que o Rio Grande do Sul já implementa políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, realiza análises de risco e estrutura sua governança de forma integrada, com foco no aumento da resiliência dos territórios.
O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que avalia a maturidade da gestão climática de governos subnacionais. A plataforma mede como Estados, regiões e cidades compreendem, monitoram e gerenciam seus impactos climáticos, com base em uma metodologia pública, padronizada e comparável globalmente.
Seus dados são amplamente utilizados por bancos de desenvolvimento, fundos internacionais, organismos multilaterais e redes globais de cooperação climática.
Para a titular da Sema, Marjorie Kauffmann, o resultado reflete o fortalecimento da governança climática do Estado: “Esse avanço se concretiza em dados e ações efetivas, como o inventário de emissões divulgado recentemente que demonstra uma redução significativa das emissões no Rio Grande do Sul, além da implementação de planos e metas estruturados, parcerias internacionais e uma maior integração das políticas climáticas entre os órgãos estaduais”.
“O resultado evidencia a consolidação de uma política climática madura, baseada em dados, planejamento e ações concretas, com reconhecimento internacional”, afirma a coordenadora da Assessoria do Clima, Daniela de Lara. “O Rio Grande do Sul não apenas reporta informações, mas já executa políticas climáticas consistentes, fortalecendo a credibilidade institucional e ampliando oportunidades de cooperação e captação de recursos.”
Ações
– Dentre os fatores que contribuíram para a melhora da pontuação estão a consolidação da Assessoria do Clima da Sema e a publicação do Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa e de diagnósticos setoriais.
– No campo do planejamento, destaca-se o Roadmap Climático, uma das estratégias do Proclima 2050 – que mapeou vulnerabilidades, demandas e prioridades climáticas dos municípios do RS.
– Outro avanço relevante são os Roteiros de Descarbonização das Cadeias Produtivas, elaborados em parceria com o setor produtivo.
– Os estudos analisam cinco cadeias estratégicas do Estado (soja, arroz, pecuária bovina de corte e leite, silvicultura e petroquímica) e projetam cenários de redução das emissões de gases de efeito estufa até 2050.
– As modelagens indicam que a cadeia da soja pode atingir a neutralidade de emissões até 2045, enquanto a pecuária e o arroz podem reduzir, respectivamente, 72,8% e 76,1% de suas emissões até meados do século.
Escalada
O ciclo de avaliações do CDP começou em 2022, com a adesão do Rio Grande do Sul ao Acordo de Cooperação. Em 2023, o Estado recebeu nota D (nível “Divulgação”), classificado como capaz de identificar impactos climáticos e reconhecer lacunas de informação.
Já em 2024, avançou para a nota “C” (nível “Conscientização”), demonstrando capacidade de compreender, medir e reportar os efeitos das mudanças climáticas. O levantamento mais recente, no final do ano passado, atribuiu a nota “B” (nível “Gestão”).
A Sema já trabalha na qualificação das informações e no aprimoramento das políticas para atingir a nota “A” (nível “Liderança”). Esse estágio é atribuído a governos que adotam práticas avançadas, alinhadas à ciência climática e a padrões internacionais.
Estrategicamente, a avaliação positiva fortalece a imagem internacional do Estado e amplia o acesso a financiamento climático e cooperação técnica. Os dados são utilizados por bancos multilaterais, fundos internacionais de financiamento climático, agências de cooperação e organismos internacionais para avaliar transparência, capacidade de gestão e nível de preparo dos governos frente aos riscos climáticos.
Além disso, reforça a atuação gaúcha em redes globais como a Under2 Coalition, o Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade e a Regions4, que impulsionam ações em prol das mudanças climáticas, da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável.
(Marcello Campos)