Sábado, 29 de agosto de 2026

Roberta Luchsinger nega que tenha pago o ex-chefe de gabinete de Lula para ajudar em sua proposta sobre fornecimento de canabidiol ao governo federal

Investigada pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de tráfico de influência, a empresária Roberta Luchsinger afirma que pediu para o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoiar sua proposta sobre fornecimento de canabidiol ao governo, mas não fez pagamentos em troca desse apoio.

Roberta é alvo de três inquéritos da PF ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A suspeita é que eles tenham atuado para favorecer empresas junto a órgãos federais. Até o momento, no entanto, as investigações não apontaram se algum contrato foi assinado com o poder público.

Em um dos inquéritos, a polícia investiga conversas de Roberta com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, sobre uma proposta de fornecimento de canabidiol para o Ministério da Saúde.

A PF também descobriu que Roberta pagou contas de Marcola e agora apura se os pagamentos foram em troca de algum favor prestado por ele. O ex-chefe de gabinete afirmou que os pagamentos foram um empréstimo pessoal, de R$ 249 mil, que já foi quitado.

“Ter apoio (era o objetivo das conversas com Marcola). Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira”, disse Roberta ao portal g1 por mensagem na quinta-feira (27), em sua primeira manifestação desde que as investigações vieram a público. Roberta vinha se manifestando por meio de nota de seus advogados.

“Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra. Marcola é meu amigo. Eu sou uma pessoa amiga dos meus amigos. Se eu sei que precisam e posso ajudar, eu ajudo”, disse a empresária.

Segundo a investigação da PF, Roberta enviou a Marcola por WhatsApp, em maio de 2024, a minuta de um Termo de Referência (TR) que estabelecia parâmetros para o Ministério da Saúde adquirir frascos de canabidiol.

O texto previa a dispensa de licitação e direcionava o negócio para a empresa World Cannabis, pertencente ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O documento havia sido elaborado pela equipe do Careca. Nenhum contrato com o ministério foi assinado.

De acordo com Roberta, há um problema regulatório no setor de canabidiol que tem submetido pacientes a produtos importados sem um controle de qualidade, que deveria ser feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a versão de Roberta, a minuta que ela enviou a Marcola tinha propostas para melhorar esse problema.

“A principal mudança descrita no documento é administrativa e operacional: sair de sucessivas aquisições vinculadas às demandas individuais para uma estrutura de planejamento e aquisição centralizada (pelo Ministério da Saúde) de uma demanda judicial já existente e recorrente”, disse.

“Diante de tema tão importante, e por não haver nenhuma relação de compra e venda — até porque são demandas judicializadas —, eu gostaria sim de ter tido apoio, olhos postos sobre o tema”, afirmou.

“Antônio (Careca) contratou uma equipe muito competente (na World Cannabis), inclusive pessoas que foram funcionárias da Anvisa e que, após saírem, prestam serviços de consultoria altamente especializada”, declarou Roberta.

Relação 

Desde que seu nome foi envolvido em suspeitas, em dezembro de 2025, Roberta e seus advogados negam que ela tenha feito pagamentos a Lulinha com a finalidade de que ele abrisse as portas do Ministério da Saúde para os produtos do Careca do INSS.

“Antes de haver busca e apreensão na minha casa, eu já havia manifestado que eu não tinha ideia de nada de INSS e que minha relação com Antônio (Careca) era canabidiol. Eu fui a primeira a falar. Porque não vejo crime nenhum nisso”, disse.

Roberta atuava como lobista em favor dos interesses da empresa do Careca. Ela recebeu dele R$ 1,5 milhão para prospectar negócios junto ao Ministério da Saúde. Roberta afirma que não sabia que o Careca desviava dinheiro de aposentadorias.

Em mensagens obtidas pela PF, Roberta disse ter uma sociedade com Lulinha. Questionada sobre a natureza da sociedade, ela respondeu que eles são amigos e que já tiveram “a intenção” de fazer coisas juntos.

“Eu e Fábio somos amigos. Muito amigos. Renata, esposa dele, (é) minha melhor amiga. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista. Fábio é meu amigo antes de o pai ser presidente”, afirmou.

Perguntada sobre pagamentos de vantagens a Lulinha, como viagens, Roberta disse apenas que “tudo (está) muito fora de contexto”. (Com informações do portal de notícias g1)

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