Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Saiba como as alterações do sangue podem influenciar a covid

Em um estudo publicado no Journal of Proteome Research, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram algumas alterações no sangue de pessoas que já tiveram covid e podem estar relacionadas ao risco de doença grave.

Ao monitorar a quantidade de seis substâncias produzidas por diferentes vias do metabolismo, os cientistas verificaram que é possível ter um prognóstico sobre qual será a gravidade da infecção.

“Assim, quando o paciente procurar ajuda, o médico poderá prever por meio de um exame clínico se ele vai precisar de internação e agir rapidamente para evitar a evolução da doença”, disse Daniel Cardoso, coordenador do estudo, explicando que ao infectar a célula, o coronavírus altera o metabolismo e usa as vias energéticas para se replicar.

“A partir disso, ocorrem variações na quantidade daquelas seis substâncias, sendo que algumas têm sua concentração reduzida e outras aumentada. O grau de desequilíbrio na concentração permite prever se as condições clínicas do paciente serão agravadas”.

Durante a pesquisa, foram analisados o plasma sanguíneo de 110 pacientes com sintomas gripais que deram entrada no Hospital da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em 2020. Dentre eles, 57 não estavam infectados e 53 testaram positivo para a covid.

Entre os doentes, 10 tiveram complicações de saúde e foram internados na UTI, enquanto 2 morreram. “O que vimos em pacientes que evoluíram para casos graves é que havia uma alteração mais acentuada na concentração desses compostos quando eles procuraram atendimento médico”, conta Banny Correia, pós-doutoranda do IQSC-USP e uma das autoras do artigo.

Covid longa

Os sintomas após contrair a covid podem persistir, o que está sendo chamado pelos especialistas de “covid longa”. Segundo a médica infectologista Márcia Hueb, esses sintomas devem ser monitorados caso o paciente já tenha se curado e continua com as sequelas por mais de dois ou três meses.

A “covid longa” é quando há a persistência de alguns sintomas da doença após ter o vírus ativo. Os sintomas mais recorrentes são:

— Fraqueza
— Fadiga
— Dificuldade para respirar
— Alterações no sono
— Alteração na memória
— Perda de paladar persistente

A infectologista explicou que fraqueza e dificuldade para exercitar as tarefas diárias já pode caracterizar um quadro de “covid longa” e que a melhor opção é investigar o problema.

“O checkup, fazer uma investigação ampla, se aplica em algumas situações, mas é melhor dirigir para o que está acontecendo. Então se tive covid e não fiquei com sintomas, posso viver a minha vida normalmente. Agora, se já passou dois, três meses e acho que não estou na normalidade, é melhor passar por uma avaliação médica. O profissional que vai determinar quais os exames necessários”, disse.

Márcia Hueb disse ainda que estudos realizados por pesquisadores da University College London, da Inglaterra acompanham pacientes que contraíram a doença e estão com a “covid longa”. A médica contou que a condição não depende do grau de covid que o paciente teve.

“Não importa como você teve covid, se foi leve, moderada ou grave, você pode ter ‘covid longa’. Também não importa a idade. Em jovens é menos comuns, mas os adultos mais jovens ou mais velhos podem ter a ‘covid longa’”, disse.

Ainda não existe um teste específico para detectar. O que os médicos da Inglaterra estão fazendo é recomendar exames para verificar a existência de outras doenças como, por exemplo, a diabetes e a disfunção da glândula tireoide.

Quando esses exames dão negativo, o paciente que já teve o coronavírus há mais de três meses, é um provável caso de covid longa.

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