Quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Seca intensa leva uruguaios a beber água salobra do Rio da Prata

Quando as dores de cabeça começaram, María Sosa lembrouse do café da manhã de dias atrás. Ela tinha cozinhado ovos quando seu marido, bebendo água, perguntou se ela tinha sentido algum gosto estranho. “Eu olhei para a panela, e a água estava branca, cheia de sal”, afirmou María, de 62 anos. “Naquele momento, eu soube que isso seria um problema”.

No bairro Novo Amanhecer, onde Sosa vive, na periferia de Montevidéu, o problema é geral. O Uruguai, acometido por temperaturas altas e por uma seca grave, está ficando sem água doce. Para Montevidéu, a capital de quase 2 milhões de habitantes, restam poucos dias de abastecimento.

Condições climáticas historicamente quentes e secas prejudicam a produção agrícola e abalam economias em todos os países do Cone Sul. A incidência de chuvas durante os últimos quatro meses de 2022 caiu para metade da média, o nível mais baixo em 35 anos. Colheitas perdidas, preços de energia nas alturas, banhos uma vez por semana.

As geleiras andinas perderam mais de 30% de sua área desde os anos 80, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial, agência especializada da ONU. A região central do Chile enfrenta há 13 anos sua seca mais longa em pelo menos um milênio. As exportações agrícolas da Argentina deverão cair 28% em 2023. Mas, no Uruguai, o clima extremo forçou as autoridades a uma resposta também extrema.

Sal

O reservatório de Paso Severino, que abastece de água mais da metade dos 3,4 milhões de habitantes do país, baixou para 5% de sua capacidade. Então, a Agência de Avaliação de Tecnologias Sanitárias, uma estatal, obteve em maio a permissão de exceder os limites de sódio e cloreto na água fornecida pela rede pública de abastecimento e começou a acrescentar água coletada do Rio da Prata, estuário em que a água doce dos Rios Paraná e Uruguai se mistura com a água salgada Atlântico.

O resultado: a quantidade de sódio na água que sai das torneiras atingiu 421 miligramas por litro, segundo anunciou o governo uruguaio, no mês passado, mais que o dobro da recomendação da OMS, 50% mais do que o limite autorizado anteriormente no Uruguai e equivalente a 10 vezes os níveis históricos do sistema.

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