Terça-feira, 23 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de junho de 2026
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (23) uma resolução que impede o presidente Donald Trump de realizar novos ataques contra o Irã sem autorização prévia do Congresso. A medida já havia sido aprovada pela Câmara dos Representantes no início do mês.
A votação representa um raro revés político para Trump no Legislativo, já que o Partido Republicano possui maioria em ambas as Casas. A aprovação ocorreu em meio a preocupações de parlamentares, incluindo aliados do presidente, com a escalada do conflito no Oriente Médio.
No Senado, o texto foi aprovado por 50 votos a 48. Quatro senadores republicanos votaram contra o presidente: Rand Paul, Susan Collins, Lisa Murkowski e Bill Cassidy. Paul e Collins são considerados aliados mais próximos de Trump, enquanto Murkowski e Cassidy têm histórico de críticas mais frequentes ao presidente.
A iniciativa foi apresentada como uma tentativa do Congresso de reafirmar sua prerrogativa constitucional sobre decisões de guerra e uso de força militar. Trata-se de uma das poucas ocasiões desde a aprovação da Resolução dos Poderes de Guerra, em 1973, em que o Legislativo avança para limitar diretamente ações militares de um presidente em exercício.
Para acelerar a tramitação, os democratas recorreram a uma manobra regimental que permitiu levar a proposta ao plenário em prazo reduzido. A resolução, no entanto, não precisa de sanção presidencial para entrar em vigor, embora não tenha força de lei plena.
Mesmo com a aprovação, há expectativa de que a Casa Branca tente contestar a medida judicialmente. Parlamentares contrários à política externa do governo afirmam que vão trabalhar para garantir a aplicação da resolução.
O conflito com o Irã se tornou um tema sensível para o governo Trump e para o Partido Republicano. A escalada militar tem enfrentado resistência de parte da opinião pública americana e gerado preocupação com impactos econômicos, especialmente sobre os preços dos combustíveis.
Aliados do presidente avaliam que a impopularidade da ofensiva pode influenciar o cenário político interno, especialmente nas eleições de meio de mandato, quando estarão em disputa a maioria das cadeiras da Câmara e parte do Senado.
Segundo autoridades dos dois países, um acordo inicial para o fim das hostilidades foi assinado em 17 de junho, mas ainda há pontos em negociação para a consolidação de um cessar-fogo definitivo.