Sábado, 24 de fevereiro de 2024

Sueli Costa, cantora e compositora, morre aos 79 anos

Sueli Costa, cantora, compositora um dos grandes nomes da MPB, morreu neste sábado (04), aos 79 anos, no Rio de Janeiro. Ela teve canções de sua autoria regravadas ou interpretadas por ícones da música, como Elis Regina Angela Ro Ro, Ney Matogrosso e Simone. A causa da morte não foi divulgada.

Com cerca de 50 anos de carreira, a artista deixa um legado na voz, no piano e na literatura musical, com seis álbuns e diversos singles. Em seu Instagram, Maria Bethânia lamentou a morte: “Uma das maiores compositoras brasileiras. Deixará imensa saudade, imensa”.

Dona de uma marcante obra como compositora de canções densas e envolventes, Sueli Costa acabava não sendo tão valorizada pela sua voz, o que explica uma certa raridade em suas apresentações ao vivo ao longo dos tempos. Antes de uma série de cinco apresentações da turnê Louça Fina, na Sala Guiomar Novaes, em 1980, destacava ao Estadão se tratar de um show “extremamente simples e feito mais para mostrar um trabalho do que propriamente uma cantora”. “Isso já é com outro departamento: Elis [Regina], [Maria] Bethânia…”, reconhecia.

Sueli Costa nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada em Juiz de Fora, onde começou a fazer suas primeiras composições, aos 18 anos, por volta de 1961. Aprendeu a tocar violão por conta própria, e depois estudou piano por influência da mãe, que dominava o instrumento e era regente de coral. Foi em casa, observando a família, que a menina aprendeu a treinar o ouvido e se tornou uma ouvinte de diversos gêneros, como a Bossa Nova, popular na época.

Voltou à cidade-natal em 1968. No ano anterior, Nara Leão, então voz do espetáculo Opinião, foi a primeira das muitas estrelas com quem teve contato, cantando sua Por Exemplo Você. Três anos depois, seria a vez de Maria Bethânia incluir Sombra Amiga e Assombrações em seus shows. O primeiro sucesso de maior magnitude veio em parceria com Abel Silva na voz de Simone, em 1977, e de Fagner, pouco depois: Jura Secreta. “Só uma coisa me entristece/O beijo de amor que não roubei/A jura secreta que não fiz/A briga de amor que não causei”, diz a letra.

Nos anos 1970 também conseguiu destaque graças a trilha sonora de novelas. Coração Ateu (com Joãozinho Medeiros), na voz de Bethânia, foi tema de Jerusa (Nívea Maria) e Mundinho (José Wilker) na primeira versão da novela Gabriela (1975), na Globo. Dentro de Mim Mora Um Anjo (parceria com Cacaso), cantada por Fafá de Belém, esteve em Direito de Nascer (1978), da Rede Tupi.

Além dos já citados, há ainda entre os nomes que popularizaram suas letras, Elis Regina (Vinte Anos Blues, O Primeiro Jornal, Altos e Baixos), Gal Gosta (Vida de Artista), Angela Ro Ro (Nenhum Lugar).

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